EM DIRETO
Primeiro-ministro apresenta linhas gerais do PTRR

Ucrânia retoma exportações na área da defesa após invasão russa

Ucrânia retoma exportações na área da defesa após invasão russa

A Ucrânia poderá exportar vários milhares de milhões de dólares em bens e serviços militares este ano, depois de ter autorizado as suas primeiras vendas externas em tempo de guerra, e está a considerar a introdução de um imposto sobre estas exportações, disse um alto responsável da defesa ucraniana.

Cristina Sambado - RTP /
Stringer - Reuters

No início deste mês, a comissão estatal responsável pelas licenças relacionadas com tempos de guerra aprovou a maioria dos 40 pedidos de produtores do setor da defesa para exportação de material e serviços, disse Davyd Aloian, vice-secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional de Kiev, em entrevista à Reuters.A Ucrânia suspendeu as exportações de armas após a invasão de Moscovo, em fevereiro de 2022, e tem dependido fortemente do fornecimento de armas dos parceiros para se defender das forças russas.

Ao mesmo tempo, Kiev investiu recursos no desenvolvimento da sua indústria bélica, particularmente drones e mísseis. Aproveitando a sua vasta experiência no campo de batalha, a Ucrânia tem vivido, nos últimos anos, um boom na tecnologia de defesa.

Questionado sobre o potencial de exportação para este ano, Davyd Aloian frisou que, "considerando produtos prontos, peças de substituição, componentes e serviços que podem ser fornecidos, o valor ascende a vários milhares de milhões de dólares."

De um modo geral, o potencial é "significativamente maior" do que as exportações pré-guerra
, acrescentou.Davyd Aloian, membro da comissão que autoriza as exportações, desvalorizou as expectativas de um aumento imediato das exportações para os produtores e promotores de armas.

As necessidades militares da Ucrânia devem estar em primeiro lugar”, defendeu, numa altura em que as tropas russas avançam no leste do país e os ataques aéreos atingem cidades distantes da linha da frente.

As conversações de paz mediadas pelos EUA estão paralisadas devido às exigências russas de concessões territoriais.
Interesse externo

Os aliados da Ucrânia manifestaram interesse em obter a sua tecnologia de defesa de ponta, avançou o vice-secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional de Kiev, citando a Alemanha, o Reino Unido, os EUA, os países nórdicos, três nações do Médio Oriente e pelo menos um país asiático como alguns dos mais interessados.Um dos países do Médio Oriente, que tem um longo historial de comércio de armas com a Ucrânia, está a explorar oportunidades em drones e veículos pesados, revelou Davyd Aloian, recusando-se a nomear o país.

Segundo o vice-secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, “será dada prioridade às exportações para os países que são os maiores apoiantes de Kiev na guerra

Kiev pretende ainda priorizar as joint ventures e outras formas de cooperação com países estrangeiros para atrair recursos financeiros, criar novas cadeias de fornecimento de armas para a linha da frente e ter acesso a novas tecnologias. Isto é mais importante do que a simples exportação de produtos prontos a usar, acrescentou Davyd Aloian.

Os fabricantes de defesa têm pressionado a Ucrânia para retomar as exportações, alegando que o país corre o risco de perder oportunidades no mercado global de armas
. Alguns já criaram subsidiárias para operar no estrangeiro.

"Não há qualquer desejo ou objetivo de confinar todos os fabricantes aqui e manter apenas os nossos. Existe uma abordagem, e está focada em criar um sistema que priorize a linha da frente e os interesses nacionais", esclareceu Davyd Aloian. "E depois entram os interesses comerciais".A Ucrânia também está a considerar um imposto de exportação para os produtores de defesa, revelou.

Embora não tenha sido tomada nenhuma decisão final, acredita que esta medida justificaria para o Estado a decisão de retomar as exportações, uma vez que Kiev poderia utilizar as receitas para financiar as suas próprias necessidades militares subfinanciadas.

Entre os pedidos aprovados pela comissão, nenhum envolve a exportação de armas prontas a usar, esclareceu Davyd Aloian, e a maioria visa a reimportação de armas para a Ucrânia para utilização na linha da frente.

Mas alguns estão relacionados com equipamento para o programa FrankenSAM Ucrânia-EUA, que está a desenvolver sistemas de mísseis terra-ar combinando sistemas soviéticos propriedade da Ucrânia com mísseis ocidentais.
Tópicos
PUB