"Calma antes da tempestade". Trump e Netanyahu discutiram possível retomar dos ataques contra Irão

"Calma antes da tempestade". Trump e Netanyahu discutiram possível retomar dos ataques contra Irão

O presidente norte-americano, Donald Trump, avisou este domingo que "o tempo está a esgotar-se" para o Irão e alertou que "nada restará" se Teerão não aceitar um acordo.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Foto: Truth Social de Donald Trump

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, falou este domingo com o presidente norte-americano, numa chamada telefónica que durou pouco mais de meia hora.

De acordo com a emissora israelita Kan, os dois líderes discutiram a possibilidade de um retomar dos confrontos com o Irão e Trump também informou Netanyahu sobre a sua recente visita à China.

Netanyahu vai também reunir este domingo com o seu gabinete de segurança, numa altura em que surgem relatos de que os EUA e Israel estão a preparar-se para lançar novos ataques contra o Irão.

“Estamos atentos à situação do Irão”, disse Netanyahu durante a reunião semanal do gabinete este domingo. “Sem dúvida de que há muitas possibilidades e estamos preparados para todos os cenários”, acrescentou.

Este domingo, Donald Trump ameaçou com consequência para o Irão se o país não aceitar um acordo. "Para o Irão, o tempo está a esgotar-se, e é melhor mexerem-se, RÁPIDO, ou não restará nada deles. O TEMPO É ESSENCIAL!", escreveu o presidente numa publicação na Truth Social.


No sábado, Donald Trump partilhou na sua rede social Truth Social uma imagem gerada por Inteligência Artificial com a legenda “Era a calma antes da tempestade”. Na imagem, Trump surge a bordo de um navio de guerra ao lado de um oficial da marinha, com embarcações iranianas atrás.


A imagem alimentou suspeitas de que os EUA e Israel estarão a preparar novos ataques contra o Irão.

Os combates entre os EUA, Israel e Irão foram parcialmente interrompidos desde que um cessar-fogo entrou em vigor a 8 de abril. No entanto, esse frágil cessar-fogo está novamente sob pressão, com as negociações entre Teerão e Washington, com o objetivo de chegar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano e outras questões, estão paralisadas.

O porta-voz das forças armadas iranianas, Abolfazl Shekarchi, alertou Trump este domingo contra a retomada de ataques contra o seu país.

“O presidente americano, em desespero, deve saber que, se suas ameaças forem cumpridas e o Irão islâmico for atacado novamente, os recursos e as forças armadas do seu país enfrentarão cenários sem precedentes, ofensivos, surpreendentes e tumultuosos”, disse Shekarchi, segundo a televisão estatal.

Por sua vez, o vice-presidente do Parlamento, Hamidreza Haji-Babai, afirmou que, se as instalações petrolíferas iranianas forem visadas, o Irão atacará os campos petrolíferos da região.

"Se o petróleo iraniano for prejudicado, o Irão tomará medidas que impedirão os Estados Unidos e o mundo de obter petróleo da região durante um longo período", declarou.

"Escalada perigosa"
Este domingo, os Emirados Árabes Unidos denunciaram um ataque com drone perto da central nuclear de Barakah, no oeste do país, tendo provocado um incêndio.

Os sistemas de defesa aérea detetaram "três drones que entraram pela fronteira oeste", dois dos quais foram intercetados com sucesso, enquanto o terceiro "atingiu um gerador de energia" perto do local, de acordo com o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos.

O ministério afirmou estar a investigar para "determinar a origem dos ataques". Abu Dhabi não apontou o dedo ao Irão, apesar de o ter acusado repetidamente de realizar ataques contra o seu território desde o cessar-fogo de 8 de abril, que pôs fim às hostilidades entre a República Islâmica do Irão e Israel e os Estados Unidos.

No entanto, os Emirados alertam para uma “escalada perigosa”. "O ataque "constitui uma escalada perigosa, um ato de agressão inaceitável e uma ameaça direta à segurança do país", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros em comunicado, acrescentando que "nenhuma ameaça à segurança e à soberania será tolerada, independentemente das circunstâncias".

Situada a mais de 200 quilómetros a oeste de Abu Dhabi, perto das fronteiras com a Arábia Saudita e o Catar, a central nuclear de Barakah está mais próxima de Doha do que dos principais centros urbanos dos Emirados Árabes Unidos.

"Não houve relatos de feridos e não foi observado qualquer impacto nos níveis de segurança radiológica", afirmou o gabinete de imprensa do governo local de Abu Dhabi.

"A Autoridade Federal de Regulação Nuclear (FANR) confirmou que o incêndio não afetou a segurança da central nem a disponibilidade dos seus sistemas críticos e que todas as unidades estão a funcionar normalmente", acrescentou a mesma fonte.
Impasse nas negociações
As negociações de paz continuam bloqueadas. Segundo o Irão, os Estados Unidos não fizeram "nenhuma concessão concreta" em resposta às propostas iranianas, particularmente sobre a questão nuclear, o principal ponto de discórdia entre os dois países. Washington apresentou uma lista de cinco pontos exigindo, entre outras coisas, que o Irão mantenha apenas uma instalação nuclear ativa e transfira o seu stock de urânio altamente enriquecido para os Estados Unidos, informou a agência de notícias Fars.

De acordo com a mesma fonte, os Estados Unidos recusaram também libertar "nem 25%" dos bens iranianos congelados no estrangeiro ou pagar indemnizações pelos danos sofridos pelo Irão durante a guerra.

Por seu lado, a agência noticiosa Mehr afirmou que os Estados Unidos não deram ao Irão "nenhuma concessão tangível", denunciando as "condições excessivas" impostas por Washington.

"Washington também exigiu restrições muito rigorosas e de longo prazo ao programa nuclear iraniano e condicionou a cessação das hostilidades em todas as frentes à abertura de negociações", acrescentou a Mehr.

O Irão também anunciou que vai revelar, em breve, um plano para a gestão do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Está prevista a implementação de portagens numa das principais rotas energéticas do mundo.

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos avisou que o Irão enfrentará "maus bocados" caso não seja alcançado rapidamente um acordo de paz.

c/agências
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