Arábia Saudita, Turquia e Paquistão vão assinar acordo de defesa mútua

Arábia Saudita, Turquia e Paquistão vão assinar acordo de defesa mútua

Riade, 07 ago 2026 (Lusa) - A Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia assinam hoje um acordo de defesa mútua, num contexto de tensões associadas à guerra no Médio Oriente, indicaram à agência France-Presse (AFP) fontes do exército e do Governo saudita.

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Foto: Rede Social X

O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, o presidente turco Recep Erdogan e o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif estarão reúnem-se na cidade saudita de Jidá para uma cimeira entre os três países muçulmanos sunitas.

"A questão estava em discussão há muito tempo, mas os recentes desenvolvimentos na região aceleraram o seu ritmo", indicou à AFP uma fonte próxima não identificada do exército saudita.

Os rebeldes Huthis do Iémen atacaram na quinta-feira alvos na Arábia Saudita e forças governamentais iemenitas, matando pelo menos 58 soldados, um balanço sem precedentes em mais de quatro anos de hostilidades.

A retoma, no mês passado, deste conflito iniciado há mais de dez anos constituiu uma nova etapa no alastramento regional consequente da guerra entre os Estados Unidos e o Irão.

Os Huthis, apoiados pelo Irão, afirmaram ter agido na quinta-feira em retaliação ao recente reforço das tropas iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita.

Uma fonte militar relatou à AFP 58 mortos e "dezenas de feridos", após um balanço anterior de 38 mortos e 29 feridos feito por fontes médicas.

Segundo um responsável militar, trata-se dos ataques mais mortíferos desde o cessar-fogo de 2022, que tinha posto fim a mais de sete anos de uma guerra devastadora neste país, o mais pobre da península arábica.

Os ataques visaram um campo militar na província de Marib, no centro do país, bem como outros na província de Hadramout, perto da fronteira com a Arábia Saudita, especificou a mesma fonte.

"As nossas forças armadas conduziram uma operação de grande envergadura visando concentrações de tropas inimigas", indicou o porta-voz militar dos Huthis, Yahya Saree, denunciando "um importante reforço militar saudita".

Na Arábia Saudita, a coligação liderada por Riade acusou os Huthis de terem realizado "bombardeamentos contra alvos civis" na região fronteiriça de Najran.

Estes ataques causaram 11 feridos, incluindo uma criança de quatro anos, bem como dois egípcios, um iemenita e um paquistanês, um balanço sem precedentes no reino desde o fim da trégua.

A coligação "continuará a tomar todas as medidas de dissuasão necessárias contra estas agressões terroristas para garantir a proteção dos civis", preveniu o seu porta-voz, o general Turki al-Malki, num comunicado divulgado pela agência oficial saudita.

A guerra no Iémen causou centenas de milhares de mortos e mergulhou o país numa grave crise humanitária.

O conflito começou em 2014, quando os Huthis lançaram a partir do seu bastião de Saada, uma região no norte do país perto da fronteira saudita, uma grande ofensiva e tomaram o controlo de vastas partes do território, incluindo a capital Sanaa. Fragilizado, o Governo iemenita recebeu ajuda em 2015 de uma coligação militar liderada por Riade.

Uma trégua negociada pela ONU mantinha-se desde 2022, mas as hostilidades recomeçaram no mês passado entre os Huthis pró-iranianos e a Arábia Saudita, aliada de Washington, num contexto de guerra entre os Estados Unidos e o Irão.

As hostilidades foram desencadeadas após a tentativa de aterragem na capital Sanaa de um avião iraniano vindo de Teerão, desafiando a hegemonia saudita sobre o espaço aéreo iemenita. Desde então, os Huthis realizaram vários ataques contra interesses sauditas.

Na quarta-feira, declararam ter atacado dois petroleiros sauditas no mar Vermelho e no golfo de Aden, no âmbito do bloqueio que tinham anunciado em julho contra a frota saudita.

Esta medida lança um risco sobre a capacidade da Arábia Saudita, maior exportador mundial de crude, de escoar o seu petróleo para os mercados internacionais, após o bloqueio iraniano do estreito de Ormuz, do outro lado da península, desde o início da guerra no Médio Oriente no final de fevereiro.

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