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Cessar-fogo é a "necessária redução de tensões" no Médio Oriente

Cessar-fogo é a "necessária redução de tensões" no Médio Oriente

Entre ameaças e ultimatos, os Estados Unidos e o Irão concordaram com um cessar-fogo de duas semanas e com a abertura do Estreito de Ormuz. As negociações, mediadas pelo Paquistão, começam na sexta-feira e as reações, tanto nos Estados Unidos, como a nível internacional são de satisfação e de "alívio".

Inês Moreira Santos - RTP /
Toby Melville - Reuters

A cerca de 90 minutos de terminar o prazo que Donald Trump tinha estabelecido, o presidente norte-americano anunciou que iria “suspender os bombardeamentos e ataques ao Irão por um período de duas semanas”, tendo chegado a acordo com Teerão para a abertura do Estreito de Ormuz. Decisão que foi recebida com alívio por parte de líderes políticos e norte-americanos.

O líder democrata no Senado Chuck Schumer foi dos primeiros a reagir, admitindo ter ficado “feliz que Trump tenha recuado e esteja a tentar desesperadamente qualquer tipo de saída para as suas ameaças ridículas”.

Após o ultimato de Trump ao Irão, no qual ameaçou “acabar com uma civilização inteira”, dezenas de democratas pediram a destituição de Trump e antigos aliados do movimento MAGA, que se tornaram críticos, reprovaram as ameaças do presidente, clasificando-a como "malignas" e provas de "loucura". Alexandria Ocasio-Cortez, congressista progressista de Nova Iorque, considerou que este acordo de duas semanas "não muda nada".

“O presidente ameaçou cometer genocídio contra o povo iraniano e continua a usar essa ameaça”, escreveu nas redes sociais, reiterando o pedido de destituição do cargo. “Não podemos mais arriscar o mundo nem o bem-estar da nossa nação”.

Da parte dos republicanos não houve, inicialmente, muitos comentários às ameaças de Trump. Mas após o anúncio de cessar-fogo, muitos manifestaram satisfação. 

“Excelente notícia”, disse o senador republicano Rick Scott, da Florida. “Este é um primeiro passo importante para responsabilizar o Irão e mostra o que acontece quando se tem um líder que prioriza a paz através da força em vez do caos e de políticas de apaziguamento fracas”.

Mesmo o senador Lindsey Graham, considerado um dos mais veementes e agressivos defensores de uma linha dura contra o Irão na Câmara, afirmou ter esperança de que "possamos acabar com o reinado de terror do regime iraniano através da diplomacia". 

“Devemos lembrar que o Estreito de Ormuz foi atacado pelo Irão após o início da guerra, destruindo a liberdade de navegação. Daqui para frente, é imprescindível que o Irão não seja recompensado por esse ato hostil contra o mundo”.
UE saúda “redução das tensões” 
O Governo português já reagiu ao acordo de cessar-fogo e de abertura do estreito de Ormuz. Numa mensagem publicada na rede social X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português agradeceu a mediação do Paquistão, assim como "os esforços de todos os seus parceiros nas negociações".

"Este é um primeiro passo determinante para um solução diplomática duradoura e sustentável do conflito. Portugal apoiou e apoia com todo o empenho este caminho diplomático, como deixou claro nos contactos dos dois últimos dias com os Ministros dos Negócios Estrangeiros do Paquistão e do Egito".



Da parte da União Europeia, Ursula von der Leyen saudou a decisão por considerar que implica a “necessária redução das tensões”.

“Congratulo-me com o cessar-fogo de duas semanas acordado ontem [terça-feira] à noite entre os Estados Unidos e o Irão. Traz uma tão necessária redução das tensões”, afirmou Ursula von der Leyen, numa publicação na rede social X, após o anúncio da madrugada desta quarta-feira.A presidente da Comissão Europeia aproveitou ainda para agradecer ao Paquistão pela mediação e considerou ser “fundamental que as negociações para uma solução duradoura para este conflito continuem”.

Já a chefe da diplomacia da União Europeia considerou hoje que este acordo de cessar-fogo “representa um recuo à beira do abismo” e “cria oportunidades”.

“O acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão representa um recuo à beira do abismo, após semanas de escalada”, reagiu Kaja Kallas, numa publicação na rede social X.

A Alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança salientou que esta trégua “cria uma oportunidade muito necessária para reduzir as ameaças, parar os mísseis, retomar a navegação marítima e abrir espaço para a diplomacia rumo a um acordo duradouro”, vincando que o Estreito de Ormuz, atualmente bloqueado e crucial para o comércio mundial de petróleo, “deve voltar a estar aberto”.

A Alemanha, por sua vez, espera que as negociações que começam na sexta-feira visem o “fim definitivo” da guerra.

Ao reagir ao anúncio de Trump, Friedrich Merz agradeceu ao Paquistão o papel de mediação no acordo e considerou que o objetivo deve ser agora negociar um fim definitivo da guerra nos próximos dias.



Na opinião do chanceler alemão, uma negociação diplomática irá servir a segurança da população civil iraniana e a estabilidade no Médio Oriente, além de contribuir para evitar "uma crise energética mundial".

O Executivo alemão "apoia os esforços diplomáticos", e irá manter contacto próximo com os Estados Unidos e outros parceiros internacionais, além de continuar disponível para contribuir "de forma adequada" para a livre navegação no Estreito de Ormuz. 

O presidente francês qualificou como "uma coisa muito boa" o anúncio do cessar-fogo no Irão, apelando ao pleno respeito "nos próximos dias e semanas" e pedindo que inclua "plenamente" o Líbano.

"Esperamos, nos próximos dias e semanas, que possa ser plenamente respeitado em toda a região e permita que se realizem negociações que, tal como a França defende desde 2018, permitam resolver de forma duradoura as questões nucleares, balísticas e regionais relacionadas com o Irão", afirmou Emmanuel Macron no início de um Conselho de Defesa na terça-feira.

"O nosso desejo é garantir que o cessar-fogo inclua plenamente o Líbano" a longo prazo, acrescentou.
Starmer saúda cessar-fogo
O primeiro-ministro britânico manifestou também satisfação com o cessar-fogo.

"Congratulo-me com o acordo de cessar-fogo alcançado ontem [terça-feira] à noite, que proporcionará um momento de alívio à região e ao mundo", escreveu Keir Starmer na rede social X, antes de viajar para a região do Golfo Pérsico para avaliar os esforços diplomáticos com vista a manter a trégua.

"Juntamente com os nossos parceiros, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para apoiar e manter este cessar-fogo, transformá-lo num acordo duradouro e reabrir o Estreito de Ormuz", acrescentou.

De acordo com Downing Street, Starmer viaja esta quarta-feira mesmo para o Golfo, para comunicar aos líderes dos países da região o compromisso do Reino Unido com um alívio das tensões e abordar "esforços práticos" que permitam restabelecer a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo consumido a nível global.

Além disso, o primeiro-ministro britânico vai visitar o pessoal militar que se encontra na região do Golfo Pérsico para agradecer-lhes os serviços ao país.

O estreito é uma passagem estratégica por onde transita, entre outros recursos, 20 por cento do petróleo mundial. Depois da campanha de bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, Teerão restringiu a passagem de navios mercantes pelo estreito. 

O Irão e os Estados Unidos acordaram esta quarta-feira (terça-feira, em Washington) um cessar-fogo de duas semanas, e na próxima sexta-feira começarão a negociar em Islamabad um acordo de paz.

C/agências
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