Chefe da diplomacia chinesa diz que guerra "nunca devia ter eclodido" e pede cessar-fogo
O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou hoje que a guerra no Irão "nunca deveria ter eclodido" e pediu o "cessar imediato das operações militares para evitar uma escalada e a expansão da guerra".
"A China, mantendo uma postura objetiva e imparcial, esclareceu repetidamente os seus princípios, que podem ser resumidos numa única frase: um cessar-fogo", afirmou o chefe da diplomacia chinesa em relação ao conflito, que começou no passado dia 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel sobre Teerão e várias cidades e locais no Irão, resultando, logo no primeiro dia, na morte do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, assim como de vários elementos da cúpula militar e política da República Islâmica.
As declarações de Wang foram feitas durante a conferência de imprensa anual do ministro dos Negócios Estrangeiros, realizada no âmbito da sessão da Assembleia Popular Nacional (APN, Legislativo), o principal evento político do país a cada ano.
O ministro defendeu que "esta é uma guerra que nunca deveria ter eclodido e que não beneficia nenhuma das partes", e sublinhou que "a história do Médio Oriente tem demonstrado repetidamente ao mundo que a força não é a solução para os problemas".
Wang afirmou que "o respeito pela soberania nacional é a pedra angular da ordem internacional atual" e que "a soberania, a segurança e a integridade territorial do Irão e de outros países da região do Golfo devem ser respeitadas e invioláveis".
"O abuso da força é inaceitável", acrescentou o ministro, que indicou ainda que "o mundo não pode voltar à lei da selva".
Wang advertiu ainda que "planear revoluções coloridas e mudanças de regime é impopular" e acrescentou que "todas as partes devem voltar à mesa de negociações o mais rápido possível".
Nos últimos dias, Pequim reiterou a preocupação com a deterioração da situação e instou as partes a evitar uma maior escalada.
A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou esta semana que a China "se opõe firmemente a qualquer ação que viole a soberania, a segurança e a integridade territorial de outros países" e pediu às partes envolvidas que "evitem agravar as tensões e o conflito".
A China, principal parceiro comercial de Teerão e seu maior comprador de petróleo, já condenou no domingo passado a morte de Khamenei por "violar a soberania" do Irão.