"Conselho de Paz" propõe plano de ajuda a Gaza de 2,15 mil milhões de euros

"Conselho de Paz" propõe plano de ajuda a Gaza de 2,15 mil milhões de euros

O "Conselho de Paz" do Presidente norte-americano, Donald Trump, propôs hoje um plano de ajuda à Faixa de Gaza de 2,45 mil milhões de dólares (2,15 mil milhões de euros), com a duração de seis meses.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Dawoud Abu Alkas - Reuters

O anúncio, após uma reunião dos seus membros e partes interessadas realizada à margem da Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, surge numa altura em que as negociações em torno do plano de paz estão há meses paralisadas, impedindo o início da reconstrução do território palestiniano, devastado por mais de dois anos de guerra.

No entanto, as necessidades são enormes: foram estimadas em cerca de 70 mil milhões de dólares (61,4 mil milhões de euros) ao longo de dez anos, segundo uma avaliação conjunta divulgada em abril pelas Nações Unidas, o Banco Mundial e a União Europeia (UE).

Por ocasião da Assembleia-Geral das Nações Unidas, líderes como o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, denunciaram, esta semana, a situação humanitária catastrófica na Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo assinado em outubro de 2025.

O alto-representante do "Conselho de Paz" para Gaza, Nickolay Mladenov, pediu apoio para este plano de recuperação do enclave palestiniano.

Mas admitiu que as conversações com Israel estão a ser difíceis devido à proximidade de eleições legislativas no país.

"Dada a complexidade da situação que enfrentamos, penso que estamos a avançar, lenta mas seguramente", avaliou.

Os enviados de Donald Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, também estiveram presentes na reunião de hoje.

O plano de ajuda do "Conselho de Paz" assenta em 66 projetos, que incluem habitações provisórias, a gestão das montanhas de escombros causados pelos bombardeamentos, bem como das infraestruturas de transportes públicos.

Em outubro de 2025, a ONU estimava que 84% das infraestruturas da Faixa de Gaza tinham sido destruídas ou danificadas, e que 2.000 edifícios estavam em risco de derrocada, segundo a Proteção Civil de Gaza, um organismo de socorro que opera sob a autoridade do movimento islamita palestiniano Hamas.

Israel declarou a 07 de outubro de 2023 uma guerra na Faixa de Gaza para "erradicar" o Hamas, horas depois de este ter realizado em território israelita um ataque de proporções sem precedentes, que fez cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.

A guerra de retaliação israelita no enclave palestiniano fez, até agora, mais de 73.922 mortos, na maioria civis, e pelo menos 174.995 feridos - apesar de um cessar-fogo entrado em vigor a 10 de outubro de 2025, após o qual o Exército israelita continuou a abrir fogo sobre civis palestinianos e o número de vítimas continuou a aumentar.

Pelo menos 1.402 palestinianos foram mortos e 4.881 feridos na Faixa de Gaza desde o início da trégua, segundo números das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.

A guerra no enclave palestiniano causou, além disso, uma catástrofe humanitária, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.

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