Enviado chinês condenou ataques contra civis em visita à Arábia Saudita
O enviado especial chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, condenou hoje ataques contra civis e manifestou a profunda preocupação de Pequim com o aumento das tensões na região, durante uma visitou à Arábia Saudita.
Zhai, cuja viagem tinha sido anunciada pelo Governo chinês sem especificar as datas, disse ao ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Faisal bin Farhan, que "a soberania, a segurança e a integridade territorial dos países do Golfo são invioláveis", segundo comunicado difundido pela diplomacia chinesa.
"Promover a paz e pôr fim ao conflito é a solução fundamental para a atual situação", declarou o representante do país asiático.
Zhai apelou ainda "a todas as partes" para "porem fim imediatamente a todas as operações militares", segundo o comunicado.
O diplomata transmitiu ao seu interlocutor que "a China continuará a desempenhar um papel construtivo e está disposta a trabalhar com a Arábia Saudita para colaborar ativamente com todas as partes e envidar esforços incansáveis para manter a paz e a estabilidade na região do Golfo".
Pequim atuou também como mediador no processo de aproximação que culminou com o restabelecimento das relações diplomáticas entre Teerão e Riade em 2023.
Segundo o comunicado chinês, o ministro saudita afirmou que "o Médio Oriente atravessa uma crise sem precedentes, com as chamas da guerra a estenderem-se aos países do Golfo".
Na sua opinião, esta conjuntura "ameaça gravemente a estabilidade regional e afeta o fornecimento energético mundial e a segurança marítima".
"A Arábia Saudita está plenamente consciente dos perigos de uma escalada do conflito e tem atuado constantemente com a máxima moderação", disse Bin Farhan, acrescentando que espera que "a China continue a desempenhar um papel positivo na promoção de um cessar-fogo".
A China, principal parceiro comercial de Teerão e maior comprador do seu petróleo, tem condenado repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por "violarem a soberania" do país persa.
O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou no domingo que a guerra no Irão "nunca deveria ter eclodido" e apelou ao "cessar imediato das operações militares para evitar uma escalada e a expansão do conflito".
Wang declarou numa conferência de imprensa que "a história do Médio Oriente tem demonstrado repetidamente ao mundo que a força não é a solução para os problemas".
O chefe da diplomacia chinesa tem ainda defendido nos últimos dias a necessidade de "manter a segurança das rotas marítimas", tendo em conta que 45% do petróleo que a China importa chega através do Estreito de Ormuz.