"Escudo de Aquiles". Grécia investe três mil milhões em sistema defensivo israelita

"Escudo de Aquiles". Grécia investe três mil milhões em sistema defensivo israelita

O novo programa de aquisição de armamento de Atenas implica um investimento global de 4,2 mil milhões de euros. O sistema de defesa israelita está integrado neste pacote.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Louisa Gouliamaki - Reuters

O Governo grego adotou esta quinta-feira um programa de investimento para as Forças Armadas do país orçado em 4,2 mil milhões de euros e que inclui a compra de um sistema defensivo desenvolvido por Israel. Atenas acena com o advento de “uma nova era”.

Três mil milhões de um pacote de 4,2 mil milhões de euros. É o preço que Atenas decidiu pagar no negócio da compra a Israel de um sistema de defesa aérea e antimíssil: o “Escudo de Aquiles”.“A Grécia entrou numa nova era, numa nova realidade”, clamou no X o ministro grego da Defesa, Nikos Dendias.


A aquisição do “Escudo de Aquiles” foi aprovada no decurso de uma reunião do Conselho Governamental de Relações Externas e Defesa (KYSEA), segundo fonte do Ministério grego da Defesa citada pela France-Presse.

O pacote agora lançado passa ainda pela compra de aviões de transporte C-390 Millennium, drones Heron, mísseis para helicópteros Apache, navios furtivos Victa e sistemas de radar para fragatas, detalha a agência noticiosa francesa.

O denominado “Escudo de Aquiles” é um sistema integrado que interliga diferentes componentes destinados a proteger território grego contra eventuais ataques com recurso a drones, aviões, mísseis de cruzeiro e balísticos.


A "Cúpula de Ferro" israelita em ação | Amir Cohen - Reuters

A cúpula antiaérea deverá receber igualmente 700 milhões de euros de subcontratados gregos.
“Uma necessidade”

O Governo do conservador Kyriakos Mitsotakis havia já posto em marcha um processo de reformulação das Forças Armadas com um horizonte de 12 anos. Em causa está um investimento orçamentado em cerca de 25 mil milhões de euros.

Atenas tem vindo a descrever a via belicista como “uma necessidade”. Isto na sequência do congelamento do orçamento da defesa no contexto da crise financeira, que perdurou de 2009 a 2018.

Os gregos pontificam, historicamente, entre os maiores clientes das indústrias de armamento da Europa e dos Estados Unidos. Nos últimos anos, reforçaram a cooperação militar com Israel.A nova linha de política de defesa da Grécia não será também alheia às crónicas tensões regionais com a Turquia - ambos os países são membros da NATO.

A Grécia é um dos quatro países da Aliança Atlântica que já investem mais de três por cento do PIB em defesa, atrás de Polónia, Estónia e Letónia.

c/ agências
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