Estação de dessalinização de água no Bahrein danificada por drone iraniano
Uma estação de dessalinização de água do mar no Bahrein foi danificada hoje por um ataque com drone iraniano, anunciaram as autoridades do pequeno arquipélago do Golfo.
"A agressão iraniana atacou indiscriminadamente alvos civis e causou danos materiais a uma fábrica de dessalinização de água na sequência de um ataque com drones", indicou o Ministério do Interior do Bahrein num comunicado divulgado na rede social X.
No sábado, o Irão afirmou ter atacado a base norte-americana de Juffair, no Bahrein, alegando que esta tinha sido usada anteriormente para lançar um ataque contra uma fábrica de dessalinização iraniana.
Um ataque norte-americano atingiu uma fábrica de dessalinização de água doce na ilha de Qeshm, no Irão, interrompendo o abastecimento de água em 30 aldeias, sublinhou o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, citado pela agência Iran International.
"Atacar a infraestrutura do Irão é uma ação perigosa com graves consequências. Os EUA criaram esse precedente, não o Irão", disse o responsável numa publicação na rede social X, classificando a ação como um "crime flagrante e desesperado".
A maioria dos países do Golfo depende em grande parte, da água dessalinizada para o consumo dos residentes, sublinhou a emissora Al Jazeera.
Javier Blas, um colunista da Bloomberg, coautor de "The World for Sale: Money, Power and the Traders Who Barter the Earth`s Resources" (O mundo à venda: dinheiro, poder e os comerciantes que trocam os recursos da Terra), dava conta na passada quarta-feira que a inteligência norte-americana considera há décadas a água potável uma "mercadoria estratégica" no Médio Oriente, onde os países dependem de unidades de dessalinização para o abastecimento de água.
Estas fábricas são vulneráveis a ataques e a sua destruição pode ter consequências graves, colocando os países do Golfo Pérsico numa situação impossível, o que faz da água um bem geopolítico potencial no conflito.
Cerca de 100 milhões de pessoas vivem nos países pertencentes ao Conselho de Cooperação do Golfo --- Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Omã --- todos agora sob ataque iraniano.
"O Kuwait, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos são, para todos os efeitos práticos, completamente dependentes das fábricas de dessalinização, particularmente para metrópoles como Dubai. A Arábia Saudita, e especialmente a sua capital, Riade, também depende fortemente delas", nomeadamente da unidade de Jubail, escreveu Blas.
Como sublinha o analista, apesar das unidades de dessalinização serem protegidas pelo direito internacional, quando os mísseis "começam a voar" as convenções de Genebra desaparecem dos radares. O Irão atacou na semana passada uma central elétrica em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, que mantém em funcionamento uma das maiores instalações de dessalinização do mundo e no Kuwait, os destroços de um drone interceptado causaram um incêndio numa destas instalações do país.
O ataque direto dos Estados Unidos na ilha de Qeshm e a resposta iraniana de hoje no Bahrein às unidades de dessalinização de água elevam a guerra a um novo patamar.