EUA e Arábia Saudita atacam grupos pró-iranianos no Iraque

EUA e Arábia Saudita atacam grupos pró-iranianos no Iraque

Os EUA e a Arábia Saudita lançaram ataques conjuntos contra grupos apoiados pelo Irão no Iraque esta quarta-feira, em resposta a ataques contra alvos norte-americanos e instalações petrolíferas sauditas.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Khalid Al-Mousily - Reuters

Os ataques atingiram posições das Forças de Mobilização Popular (FMP), uma aliança integrada com as forças armadas iraquianas, e mataram pelo menos 20 combatentes, informou a aliança.

As FMP descreveram os ataques como uma "agressão" dos EUA e da Arábia Saudita, que visaram as suas bases em sete províncias, incluindo Bagdad, Nínive e Bassorá, causando danos.

A coligação denunciou ainda uma "escalada perigosa" contra as "instituições oficiais de segurança".

Os ataques EUA-Arábia Saudita no leste do Iraque ocorreram poucas horas depois de os militares norte-americanos terem afirmado que as suas defesas aéreas impediram um ataque surpresa do Irão contra as tropas norte-americanas na região.

O Comando Central dos Estados Unidos anunciou que todos os mísseis iranianos disparados contra as forças norte-americanas no Médio Oriente foram intercetados, acrescentando que "as tropas continuam vigilantes e em estado de elevada prontidão".

Por sua vez, a Arábia Saudita anunciou na terça-feira que as suas defesas aéreas intercetaram 28 drones que tinham como alvo instalações petrolíferas na Província Oriental do reino, apontando o dedo a milícias apoiados pelo Irão no Iraque.

O Ministério da Defesa saudita afirmou que não procurava uma escalada, mas que responderia a qualquer "agressão".
“Grande erro de cálculo”
Em declarações à televisão estatal iraniana, um responsável da defesa do Irão negou veementemente qualquer ligação entre os drones disparados de outros países contra alvos sauditas.

O oficial militar, que não quis ser identificado e foi citado pela emissora estatal IRIB, afirmou que atribuir ataques contra interesses americanos na região ao Irão foi um "grande erro de cálculo".

O Irão confirmou, no entanto, ter disparado vários mísseis balísticos contra instalações militares norte-americanas na Jordânia, argumentando que foi uma resposta às ações agressivas do exército norte-americano e às ameaças dos responsáveis norte-americanos.

"Enquanto persistirem as ameaças contra a República Islâmica do Irão e se mantiverem as ações ilegais e maliciosas das forças norte-americanas contra os nossos interesses, a resistência também continuará”, afirmou a Guarda Revolucionária do Irão em comunicado.

Os ataques mútuos marcam o fim de uma breve pausa nos combates, depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter cancelado abruptamente uma campanha de bombardeamentos norte-americana de duas semanas e o Irão ter parecido seguir o exemplo.

Os ataques mais recentes ocorrem no meio da crescente pressão dos EUA sobre Bagdad para que desarme os grupos pró-Irão.

O novo primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, que chegou ao poder este ano com o apoio de Washington, prometeu garantir que entregam as suas armas, mas enfrenta a resistência de algumas fações poderosas.

Entretanto, Ali al-Zaidi ordenou a convocação de uma reunião de emergência do conselho de segurança nacional na sequência do ataque.

c/agências
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