EUA investigam ataque contra casamento iraniano e sublinham que "nunca atacam civis" diz Vance
O vice-presidente dos Estados Unidos (EUA) anunciou hoje que o país está a investigar o ataque contra um casamento no Irão, embora tenha dito que está cético quanto às acusações de Teerão e que Washington "nunca ataca civis".
"Diria que os meios de comunicação estatais iranianos não têm, até agora, prestado um relato verdadeiramente fiável do que aconteceu neste conflito, pelo que estou extremamente cético a este respeito", afirmou JD Vance à imprensa, em resposta a uma pergunta sobre um ataque aéreo norte-americano ocorrido na terça-feira em Kuhestak (sul do Irão) que terá, segundo as autoridades iranianas, atingiu uma casa onde decorria uma cerimónia de casamento.
JD Vance acrescentou que, apesar de tudo, os Estados Unidos estavam a conduzir "uma investigação aprofundada".
Horas antes, o líder da Guarda Revolucionária do Irão, Ahmad Vahidi, jurou vingar duas mulheres e duas crianças que morreram neste ataque, que provocou também pelo menos 68 feridos.
Vance insistiu que os Estados Unidos não dispõem "de informações conclusivas num sentido ou noutro".
"Estamos a investigar o assunto porque, obviamente, é importante para nós. Queremos saber o que aconteceu e, se cometemos erros --- e é aqui que reside uma grande diferença entre nós e o Irão ---, o nosso Exército aprende com eles para tentar melhorar. É por isso que estamos a realizar uma investigação exaustiva", esclareceu.
Teerão comparou o ataque aos que provocaram a morte de 168 estudantes e professores na cidade de Minab, no sul do país, e a outro que deixou 21 mortos na região de Lamerd, também no sul, no primeiro dia da guerra, a 28 de fevereiro.
"Estes crimes de guerra brutais, que constituem uma grave violação dos princípios fundamentais do direito internacional, fazem lembrar crimes anteriores cometidos por norte-americanos-sionistas ao longo do último ano e meio, incluindo os de Minab e Lamerd", afirmou na quarta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.
A guerra entre o Irão e os Estados Unidos intensificou-se nos últimos dias, logo após se terem completado seis meses de conflito, com os ataques norte-americanos mais violentos em mais de um mês contra cinco províncias iranianas, que causaram cerca de 20 mortos, segundo Teerão.
Vance, que falava numa conferência de imprensa na Casa Branca, defendeu ainda que o tráfego marítimo de petróleo e gás no estreito de Ormuz tinha "quase" recuperado os níveis antes do início do conflito com a República Islâmica.
"Se recuarmos três meses no tempo, no que diz respeito ao petróleo e ao gás que saíam do estreito de Ormuz devido às ameaças iranianas, não havia praticamente nada. Agora, estamos quase de volta à situação anterior ao conflito", argumentou o vice-presidente norte-americano.
Tanto Teerão como Washington reivindicam o controlo do estreito.
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz à navegação comercial e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
Este acordo acabou por colapsar e Estados Unidos e Irão voltaram a repor os respetivos bloqueios navais, sem prosseguir as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses expirou.
Sem perspetiva de um regresso ao diálogo, os Estados Unidos realizaram várias vagas de ataques aéreos desde domingo contra o Irão, que respondeu com lançamentos de drones e mísseis contra países vizinhos do Golfo.
Na semana passada, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, disse que a operação económica em curso contra o Irão, que inclui sanções a indivíduos e entidades que desenvolvam relações comerciais com Teerão, não pretende derrubar o regime, mas forçá-lo a celebrar um acordo em sede negocial.