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Feriado às quartas-feiras e descidas de impostos. Como estão os países a responder à crise energética?

Feriado às quartas-feiras e descidas de impostos. Como estão os países a responder à crise energética?

O Sri Lanka decretou feriado todas as quartas-feiras para as instituições públicas para economizar combustível, numa altura em que o país enfrenta escassez devido à guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Chalinee Thirasupa - Reuters

Os governos de todo o mundo estão a tentar proteger os consumidores do aumento vertiginoso dos custos energéticos resultante da guerra entre os EUA e Israel contra o Irão.

Na Ásia, o Sri Lanka decretou feriado todas as quartas-feiras para as instituições públicas para economizar combustível.

"Devemos preparar-nos para o pior, mas esperar pelo melhor", disse o presidente do Sri Lanka, Anura Kumara Dissanayake, numa reunião de emergência com altos funcionários. 
A medida faz parte de um pacote de políticas de austeridade que vão manter-se em vigor por tempo indeterminado e que visam conservar as reservas de combustível do país, enquanto se prepara para uma guerra prolongada no Médio Oriente.

O Governo do Sri Lanka anunciou também a redução da semana de trabalho para quatro dias, uma medida que será também igualmente aplicada às escolas e universidades.

Os condutores foram também obrigados a cadastrarem-se para obter um Passe Nacional de Combustível, que limita a quantidade de combustível que as pessoas podem comprar.

A medida foi contestada por alguns cidadãos do Sri Lanka, que consideram as quotas de combustível — 15 litros para carros particulares e cinco litros para motociclos — muito baixas.Mais países asiáticos implementam medidas
Para além do Sri Lanka, vários países asiáticos também adotaram uma série de medidas de austeridade desde que a guerra com o Irão bloqueou o Estreito de Ormuz, uma importante via navegável para o trânsito de petróleo que foi bloqueada pelo Irão em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas, iniciados em 28 de fevereiro. Quase 90% de todo o petróleo e gás que passou pelo estreito no ano passado tinha como destino a Ásia, que é a maior região importadora de petróleo do mundo.

Para além da implementação do teletrabalho em vários países da Ásia, na Tailândia, o Governo está a incentivar as pessoas a trocarem os fatos por camisas de manga curta para reduzir o consumo de ar condicionado e em Myanmar, os veículos particulares só podem circular em dias alternados, consoante o número da matrícula.

Bangladesh antecipou as férias do Ramadão nas universidades e implementou apagões programados em todo o país para conservar energia.
E no resto do mundo?
Fora da Ásia, vários Governos estão também a tentar proteger os consumidores do aumento vertiginoso dos custos energéticos e minimizar o impacto do aumento dos preços.

A China proibiu as exportações de combustíveis refinados para antecipar uma possível escassez de combustível no mercado interno e está também a libertar fertilizantes das suas reservas comerciais antes da cultivação da primavera.

A Índia proibiu os consumidores com gás natural canalizado de manter, obter ou reabastecer os cilindros domésticos de gás de petróleo liquefeito (GPL), ordenou às refinarias que maximizassem a produção de GPL e reduziu as vendas à indústria.

A Coreia do Sul está a flexibilizar os limites da capacidade de produção de energia a carvão e a elevar a utilização de centrais nucleares para até 80%. O país está também a considerar distribuir vales energéticos adicionais para apoiar as famílias mais vulneráveis.

A Austrália está a libertar gasolina e gasóleo das suas reservas nacionais para aliviar a escassez e o Japão pediu à Austrália, o seu maior fornecedor de gás natural liquefeito (GNL), que aumente a produção.

A Comissão Europeia está a instruir os governos para serem flexíveis na aplicação das regras da UE sobre as importações de gás, no meio de preocupações de que o cumprimento rigoroso possa atrasar as entregas de GNL necessárias para estabilizar o abastecimento.

Portugal optou por uma descida do imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP). Na sexta-feira, o Governo anunciou uma nova redução do imposto, numa altura em que o preço dos combustíveis voltou a aumentar.

Desde 27 de fevereiro, véspera do início da guerra no Irão, o preço médio do gasóleo em Portugal já regista uma subida de quase 20 por cento e a gasolina de dez por cento em apenas duas semanas, mesmo com a aplicação de um desconto no ISP.

c/agências
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