Fome no Iémen pode tornar-se devastadora

Fome no Iémen pode tornar-se devastadora

A crise da fome no Iémen ameaça tornar-se "absolutamente devastadora" à medida que os combates continuam no país, alertou hoje o Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Reuters

Uma nova ofensiva terrestre dos rebeldes huthis, apoiados pelo Irão, contra as forças governamentais iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita, provocou centenas de mortos e está a agravar a crise humanitária que o país atravessa.

Neste contexto, "a fome no Iémen está a acelerar hoje diante dos nossos olhos", declarou o diretor executivo adjunto do PAM, Matthew Hollingworth, citado pela agência francesa AFP.

"O impacto deste último ressurgimento da insegurança na situação de segurança alimentar arrisca-se a ser absolutamente devastador", alertou numa conferência de imprensa em Genebra, intervindo a partir de Roma.

Hollingworth disse que as agências humanitárias estão a reforçar a ação no Iémen, mas com "recursos e acessos limitados".

Advertiu mesmo que a crise de segurança alimentar poderá tornar-se "muito mais ampla, além das fronteiras" do Iémen.

Situado no sudoeste da península Arábica, o Iémen é um dos países mais pobres do mundo e está mergulhado numa vasta crise humanitária.

Os combates intensificaram-se em setembro, quando os huthis lançaram uma ofensiva-relâmpago que lhes permitiu apoderar-se da costa ocidental iemenita, incluindo o estreito de Bab al-Mandeb, que controla o acesso ao mar Vermelho.

Hollingworth disse que os combates tiveram um impacto imediato na capacidade de cerca de 35 milhões de iemenitas se alimentarem, com quase três em cada quatro famílias incapazes de cobrir as necessidades alimentares básicas.

"É um número recorde para este ano em apenas algumas semanas, e os preços dos géneros alimentícios estão a aumentar fortemente em todo o país", declarou.

O Iémen é particularmente vulnerável por importar cerca de 90% dos alimentos que consome, referiu.

Antes da última intensificação dos combates, o PAM apoiava mais de 1,5 milhões de pessoas nas zonas controladas pelo Governo, mas a organização tem cada vez mais dificuldades alcançar as zonas da linha da frente.

"O PAM e os nossos parceiros estão hoje impedidos de alcançar 350.000 pessoas necessitadas que ajudávamos anteriormente", afirmou.

O PAM necessita de 109 milhões de dólares (cerca de 98 milhões de euros, ao câmbio atual) para fornecer ajuda alimentar e nutricional de emergência a 1,5 milhões de pessoas.

As necessidades do PAM estão também estimadas em 158 milhões de dólares (cerca de 142 milhões de euros) para manter as operações regulares para 2,4 milhões de pessoas até março de 2027.

As operações regulares incluem ajuda alimentar, transferências em dinheiro, apoio nutricional e refeições escolares.

"Se o mundo não se mobilizar rapidamente para ajudar o Iémen, as perspetivas tornar-se-ão muito sombrias", advertiu Hollingworth.

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