Grupo de colonos radicais reivindica dezenas de ataques contra palestinianos
O movimento radical de colonos israelitas "Juventude das Colinas" reivindicou a responsabilidade por dezenas de atos violentos contra palestinianos na Cisjordânia, apresentados como um "balanço da luta contra o inimigo árabe".
Na lista de atos violentos publicada na noite de quarta-feira no seu canal do Telegram, o grupo contabilizou mais de 60 ataques num mês em 33 aldeias palestinianas.
Cinco ataques foram reportados na aldeia de Mikhmas, perto de Ramallah, onde a comunidade beduína próxima saiu em fevereiro, alegando ter sido ameaçada.
O Ministério da Saúde da Palestina, sediado em Ramallah, disse que um jovem de 19 anos morreu devido aos ferimentos após ter sido baleado por colonos em Mikhmas na quarta-feira.
O balanço menciona 12 casas queimadas, 29 carros queimados, 40 palestinianos feridos, bem como "centenas de vidros de carros partidos" e "centenas de oliveiras arrancadas".
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, denunciou a violência em novembro de um "punhado de extremistas" que, segundo o chefe do Executivo, não representa os colonos que vivem na Cisjordânia ocupada.
Jovens deste movimento são suspeitos de ataques a militares, polícias e líderes colonos, que eles consideram demasiado moderados.
Numa carta aberta, rabinos influentes que vivem em colónias do norte da Cisjordânia apelaram, na terça-feira, para que se apoiem os colonos que vivem em postos avançados, ao mesmo tempo que condenam a violência contra os palestinianos. "É proibido recorrer a qualquer forma de violência", afirmam os rabinos, que apelam aos colonos para seguirem as orientações das autoridades.
Colonos instalam-se em terras agrícolas utilizadas pelos palestinianos e vão-lhes recusando progressivamente o acesso, segundo um relatório de 2025 da ONG israelita contra a colonização Paz Agora.
Para obrigar os palestinianos a sair, os colonos recorrem à intimidação e à violência, "com o apoio do governo e do exército israelita", considera esta ONG.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967. À exceção de Jerusalém Oriental, mais de 500.000 israelitas vivem na Cisjordânia em colónias que a ONU considera ilegais ao abrigo do direito internacional, no meio de cerca de três milhões de palestinianos.
O atual governo israelita, considerado um dos mais à direita da história do país, acelerou a expansão das colónias, aprovando um número recorde de 54 colónias em 2025, segundo a Paz Agora.