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Guterres pede fim dos ataques contra a força da paz no Líbano

Guterres pede fim dos ataques contra a força da paz no Líbano

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu o fim dos ataques contra a missão de manutenção da paz no Líbano, a FINUL, e lamentou a morte de um segundo militar francês.

Lusa /
Foto: Reuters

Numa mensagem publicada nas redes sociais na quarta-feira, o português condenou os "múltiplos incidentes" nas "últimas semanas" que "resultaram na morte e em ferimentos graves de soldados de paz" e enfatizou que "estes ataques devem cessar".

Horas antes, o Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a morte do cabo Anicet Girardin, "em consequência de ferimentos" infligidos no sábado pelo movimento xiita libanês Hezbollah.

Macron disse que Girardin tinha sido ferido na "mesma emboscada" em que "combatentes do Hezbollah" mataram o primeiro, o suboficial Florian Montorio.

"Lamento profundamente saber que um segundo membro francês da FINUL morreu na sequência dos ferimentos sofridos num recente ataque perpetrado por atores não estatais, alegadamente o Hezbollah, no sul do Líbano", disse Guterres.

O secretário-geral sublinhou que o ataque aconteceu quando os `capacetes azuis` "investigavam a suspeita presença de dispositivos explosivos improvisados na área de operações da FINUL no sul do Líbano".

Guterres reiterou o apelo para que "todas as partes" cumpram "as suas obrigações" perante o direito internacional e "garantam em todos os momentos a segurança do pessoal das Nações Unidas", bem como a proteção dos "bens e ativos da organização".

Um acordo de cessar-fogo foi alcançado a 16 de abril entre o Líbano e Israel - em guerra desde 02 de março -, com a duração prevista de dez dias, durante os quais se espera que os dois países negoceiem um plano mais pormenorizado para uma paz duradoura.

A 02 de março, o Líbano foi arrastado para o conflito regional desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, quando o Hezbollah, aliado de Teerão, efetuou um ataque com morteiros a Israel, que a partir de então bombardeou intensamente o sul do país, primeiro com ataques aéreos e depois com uma ofensiva terrestre, com artilharia e blindados.

Apesar do cessar-fogo de duas semanas acordado a 07 de abril entre os Estados Unidos e o Irão, que, em princípio, deveria aplicar-se a ambas as partes no conflito e respetivos aliados, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou que este não abrangia o Líbano, e o seu Exército lançou horas depois a maior vaga de ataques aéreos sobre o país desde o início da guerra.

Em apenas dez minutos, Israel bombardeou 100 alvos em território libanês, fazendo pelo menos 254 mortos e 1.165 feridos, segundo a Defesa Civil libanesa, e prosseguiu desde então os ataques, inclusive depois da entrada em vigor da trégua de dez dias.

O conflito fez, até agora, no Líbano, mais de dois mil mortos e milhares de feridos, e mais de um milhão de civis deslocados internamente, o que representa cerca de um quinto da população libanesa, na sequência de ordens de evacuação do sul do território emitidas pelo Exército israelita.

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