Guterres saúda segunda fase do plano para Gaza mas pede respeito pela lei

O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou na quinta-feira o lançamento da segunda fase do plano para o futuro de Gaza, mas defendeu que a iniciativa deve ter em conta as resoluções do organismo e o direito internacional.

Lusa /

Num comunicado divulgado pelo porta-voz adjunto, Farhan Haq, o diplomata português sublinhou que "qualquer iniciativa" que possa aliviar o sofrimento dos civis, contribuir para a recuperação e reconstrução do enclave palestiniano e "promover um horizonte político credível é um desenvolvimento positivo".

Mas lembrou a resolução aprovada em novembro de 2025 pelo Conselho de Segurança da ONU, que inclui o destacamento de uma força internacional de manutenção da paz, e defendeu que "todos os esforços devem ser orientados pelas resoluções relevantes das Nações Unidas e pelo direito internacional".

Guterres garantiu que a ONU continuará a apoiar todos estes esforços, bem como "os esforços dos palestinianos e dos israelitas para pôr fim à ocupação e ao conflito", com vista a estabelecer uma solução de dois estados no território.

Antes, durante um discurso perante a Assembleia Geral, Guterres também reiterou que "a ajuda humanitária deve fluir sem entraves" no enclave.

Também quinta-feira, o diretor do Gabinete da ONU para Serviços de Apoio a Projetos (UNOPS), Jorge Moreira da Silva, saudou esta fase do plano e pediu que a recuperação comece "de imediato, incluindo o restabelecimento do acesso aos serviços básicos".

"Não podemos esperar", sublinhou o português, em declarações à comunicação social em que descreveu pessoas a viver em "condições desumanas", a ausência de tratamento das águas residuais, as muitas limitações ao abastecimento de eletricidade e o caso de pessoas a residir em edifícios parcialmente destruídos e que ameaçam desmoronar-se.

Steve Witkoff tinha anunciado na quarta-feira que o plano norte-americano para o fim da guerra em Gaza tinha entrado na segunda fase e, no mesmo dia, o Egito divulgou haver um consenso sobre os nomes dos 15 membros do comité tecnocrático palestiniano que irá administrar o território.

Um alto responsável do Hamas saudou na quinta-feira a formação de um comité de peritos encarregado de administrar a Faixa de Gaza após a guerra, afirmando que este contribuirá para consolidar o cessar-fogo e impedir um regresso aos combates.

Já o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quinta-feira a formação do Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, acrescentando que os membros deste órgão, que irá presidir, serão anunciados em breve.

Este conselho faz parte da segunda fase do plano de paz para Gaza, centrada no desarmamento do movimento islamita palestiniano Hamas, e a tarefa do conselho será a de supervisionar um comité palestiniano de tecnocratas, temporário e apolítico.

Israel declarou a 07 de outubro de 2023 uma guerra na Faixa de Gaza para "erradicar" o movimento islamita palestiniano Hamas, horas depois de este ter realizado em território israelita um ataque de proporções sem precedentes, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando 251.

A guerra de retaliação israelita no enclave palestiniano fez mais de 71.400, na maioria civis - entre os quais mais de 20.000 crianças -, e mais de 171.000 feridos, segundo números das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.

Os mais de dois milhões de habitantes do enclave palestiniano viviam já anteriormente com dificuldades, causadas por outros bombardeamentos israelitas e com o embargo imposto por Israel a partir de 2007, quando o Hamas chegou ao poder.

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