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Guerra no Médio Oriente
Impasse em Israel. Netanyahu e Eisenkot terão de formar alianças para alcançar coligação vencedora
Os resultados definitivos das eleições só deverão ser conhecidos na quinta-feira, já que a Comissão Eleitoral Central de Israel continua a apurar os votos. Esta foi a primeira ida às urnas desde o ataque de 7 de outubro de 2023 perpetrado pelo Hamas.
Como era expectável, a contagem preliminar de votos após as eleições israelitas não indica um vencedor claro. Assim, Benjamin Netanyahu e o seu adversário Gadi Eisenkot terão de formar alianças até alcançarem uma coligação maioritária. Ambas as partes vieram já apresentar reivindicações para liderar Israel e deixaram uma garantia em comum: não irão juntar-se a partidos árabes.
Com cerca de 60 por cento dos votos apurados na manhã desta quarta-feira, o partido Likud, de Netanyahu, reúne 21,4 por cento. Já o partido Yashar, de Eisenkot, tem 16,2 por cento, de acordo com os dados eleitorais oficiais.
A contagem divulgada pela Comissão Eleitoral Central de Israel não indica quantos assentos cada partido irá conquistar no Parlamento israelita, o Knesset.
É já certo, porém, que ambos os lados ficarão aquém dos 61 assentos necessários para obter a maioria no Knesset, que conta com 120 assentos, pelo que nem Netanyahu nem Eisenkot reivindicaram a vitória.
Os israelitas votam em partidos, que depois formam alianças para criar uma coligação maioritária. Na história de Israel nunca houve um único partido a conseguir obter a maioria.
O resultado inconclusivo surge numa altura em que a população se encontra profundamente dividida quanto à liderança de Netanyahu, especialmente após o ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023 e às ofensivas que desde então têm abalado o Médio Oriente.
Caso se confirmem as primeiras projeções, o impasse permitirá que o atual primeiro-ministro permaneça na liderança provisoriamente, durante as negociações para formação de uma coligação governamental.
Os dois candidatos dispõem, inicialmente, de 28 dias para formar Governo, mas o presidente israelita pode prorrogar esse prazo por mais 14 dias, elevando o total para 42.
Se um candidato não conseguir formar uma coligação com pelo menos 61 assentos, pode também tentar formar um Governo minoritário, contando com o apoio de partidos mais pequenos, ou negociar um acordo de partilha de poder com a alternância de primeiros-ministros.
Os resultados preliminares indicam que os partidos palestinianos deverão aumentar drasticamente a sua representação no Knesset, com previsões de que possam conquistar até 18 assentos, contra os atuais dez.
Likud e Yashar excluem alianças com partidos árabes
O bloco de Netanyahu excluiu já a formação de um Governo com partidos árabes, que, por sua vez, fizeram campanha com a promessa de derrubar o primeiro-ministro e os seus aliados de extrema-direita.
"A maioria judaica e sionista tem de se recompor e unir-se", afirmou o líder israelita. “O Irão está mais fraco do que nunca e Israel está mais forte do que nunca graças a vocês: aos nossos heróis, ao nosso povo resiliente, às decisões corajosas que tomámos. Mas ainda não acabou”.
“Com a nossa força e juntamente com o nosso amigo presidente Trump, podemos eliminar esta ameaça de uma vez por todas”, declarou o primeiro-ministro.
Apesar de ressalvar que os resultados são ainda provisórios, Netanyahu deixou uma garantia: “O Likud é o maior partido de Israel”.
Também Eisenkot, líder do partido Yashar e antigo chefe das Forças Armadas, praticamente excluiu a hipótese de formação de um Governo com partidos árabes, o que complica o seu caminho para o poder.
“A população israelita votou contra a permanência de Netanyahu no cargo de primeiro-ministro de Israel”, disse ainda Eisenkot. “Um líder digno teria aceitado a falta de confiança do povo e anunciado a sua retirada da política”, acrescentou.
c/ agências