Irão aguarda por resposta dos EUA sobre o Estreito de Ormuz

Irão aguarda por resposta dos EUA sobre o Estreito de Ormuz

O Irão espera receber hoje uma resposta oficial dos Estados Unidos a uma nova proposta para a reabertura do Estreito de Ormuz, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.

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Abbas Araghchi, ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros | Foto por VYACHESLAV PROKOFYEV / POOL / AFP

“Existem condições que foram estabelecidas pelo Líder Supremo, e essas condições têm de ser cumpridas para que o Estreito de Ormuz seja reaberto”, expôs Araghchi, citado pelas agências internacionais de notícias a partir de declarações divulgadas pelos órgãos estatais iranianos de comunicação IRNA e Mehr. Não foram avançadas referências ao conteúdo específico da nova proposta.

Araghchi reuniu-se ontem com mediadores do Catar, que “apresentaram algumas ideias, que discutimos. Vão voltar a abordar a questão com a parte americana, após o que a resposta final dos EUA ser-nos-á transmitida”, declarou Araghchi. “Se os americanos dizem que procuram um acordo ou uma solução pacífica, nós apresentámos essa solução”, concluiu.

Na semana passada, à margem da Assembleia Geral da ONU, o Irão apresentara um projeto, com sete pontos, para reabrir o estreito de Ormuz no prazo de sete dias e retomar as negociações nucleares, em troca de os Estados Unidos levantarem o bloqueio naval dos portos iranianos, suspenderem as sanções ao petróleo do país persa e restabelecerem o cessar-fogo. Essa proposta foi rejeitada pelo Presidente americano, Donald Trump, que continua a pressionar para que Teerão faça concessões em matéria nuclear.

"Posso afirmar categoricamente que não houve qualquer alteração nas posições do Irão", referiu ontem o chefe da diplomacia daquele país do Médio Oriente.“Se houver uma resposta [dos EUA à nova proposta], os cataris irão transmiti-la e, com base nessa resposta, será tomada uma decisão em Teerão. Os cataris vaticinam que isso aconteça amanhã [hoje]”, afirmou ainda o chefe da diplomacia iraniana. “Neste momento, o foco está exclusivamente no Estreito de Ormuz. A sua reabertura está condicionada ao cumprimento de determinadas condições que comunicámos à outra parte.”

O estreito de Ormuz, pelo qual antes da guerra transitava um quinto dos hidrocarbonetos mundiais, está no centro do conflito que os Estados Unidos e Israel desencadearam no final de fevereiro com ataques ao Irão. Desde então, a República Islâmica reivindica o controlo da zona, e Washington impõe, em contrapartida, um bloqueio aos portos iranianos.

Ao oitavo mês, a guerra encontra-se num impasse, com a intensificação das sanções norte-americanas e ataques ocasionais de Teerão contra petroleiros no estreito de Ormuz.

No terreno, observa-se, contudo, uma acalmia nas últimas semanas. Os Estados Unidos não atacam o Irão desde 1 de setembro, apesar de o Irão continuar a lançar raides esporádicos no estreito de Ormuz.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos reforçaram a sua guerra económica contra aquele país do Golfo Pérsico, impondo sanções a todas as companhias aéreas iranianas e prometendo retaliações “implacáveis” às empresas estrangeiras que lhes prestem assistência.

Quarta-feira, data de entrada em vigor dessas sanções, as principais companhias aéreas iranianas foram obrigadas a cancelar voos internacionais quando as principais rotas regionais, incluindo os países do Golfo, tomaram medidas de proibição.


(Com agências)

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