RTP em Telavive. Israel anuncia nova vaga de ataques contra Teerão e Isfahan
Durante a última noite, o Irão lançou também ataques contra Israel. Os enviados especiais da RTP em Telavive, Paulo Jerónimo e José Pinto Dias, dão conta dos últimos desenvolvimentos.
"Ainda não estamos num choque petrolífero", diz António Costa Silva
O antigo ministro da Economia António Costa Silva salienta, em entrevista à Lusa, que o mundo ainda não está num choque petrolífero, mas que a situação será gravíssima se o conflito no Irão se prolongar no tempo.
"Ainda não estamos num choque petrolífero, não podemos dramatizar e ser muito alarmistas", salienta o antigo governante, advertindo, contudo, que "a situação é gravíssima se se prolongar no tempo".
Na opinião do especialista em energia, em termos de futuro imediato existem dois cenários.
"Ou isto é contido rapidamente e, portanto, não vai ter grandes efeitos no futuro, (ou) será um episódio pontual se o conflito terminar rapidamente (...), mas atenção - nesta altura - não há nenhum sinal que o conflito vá terminar rapidamente", salienta António Costa Silva.
Se terminar rapidamente, "podemos ter aqui esta turbulência que está a existir no mercado, algum efeito na inflação, porque a inflação também já está a crescer", uma vez que o preço da energia "tem um impacto significativo".
"Podemos ter uma inflação temporária que vai crescer", mas sem consequências em termos da taxa de juros e da política, quer do Banco Central Europeu (BCE), quer da Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos, diz.
Portanto, similar ao cenário que se passou com o ataque dos EUA ao Irão em junho do ano passado, "em que os preços do petróleo subiram e do gás", mas como foi um conflito de 12 dias "o efeito foi temporário" e a economia recuperou.
Em suma, "um espirro, mas não haverá uma constipação prolongada" neste cenário.
Contudo, o Presidente Trump diz que o conflito "vai durar quatro a cinco semanas e tem capacidade para continuar mais".
"Penso que esta Administração americana é totalmente irresponsável, porque este conflito faz lembrar muito o que se passou no Iraque em 2003", com similaridades "muito grandes", prossegue.
Trump ataca o Irão com base "em pressupostos errados", que tinha mísseis balísticos e iam atingir os EUA, o que "não é verdade, é uma falácia" e há seis meses dizia que tinha obliterado "a capacidade nuclear do Irão", enfatiza.
"Há uma incoerência total e é completamente errático. Isto não significa que o regime iraniano não seja um regime execrável, porque assassinou milhares e milhares de cidadãos ainda há poucas semanas, é uma teocracia autoritária e extremamente repressiva", critica.
Agora, "como se provou no Iraque, os regimes não se mudam, não há mudança de regime através do exterior e, sobretudo, com uma invasão", recorda António Costa Silva, lamentando que Israel esteja a "condicionar a política externa dos EUA", o que classifica de "inquietante" com consequências "gravíssimas", destabilizando todo o Médio Oriente.
O regime iraniano está desesperado" e "dispara para todo o lado, o que leva para um segundo cenário "mais preocupante", que é a persistência dos preços altos no mercado. O petróleo passou a barreira dos 85 dólares, o aumento semanal mais elevado em dois anos, e o preço do gás também está muito elevado, lembra.
"Se o conflito persiste, os preços vão continuar a disparar" e "muito provavelmente vamos ter um surto inflacionista grande e o Banco Central Europeu e a Reserva Federal dos Estados Unidos vão ser obrigados a intervir", admite, o que a acontecer, "vai ser muito difícil para as economias.
Os mercados já estão a antecipar "um aumento de 25 pontos base na taxa de juro, há 50% de probabilidade" este ano, numa reversão da tendência que existia.
"Se as taxas de juros realmente aumentarem, é um sério risco porque vai alargar o `spread` das obrigações soberanas dos países do euro e, portanto, lá voltamos de nós àquela situação anterior", adverte.
Atualmente, os impactos mais significativos são a paralisação de infraestruturas críticas em toda a grande região do Médio Oriente, sublinha.
Na Península Arábica, mais Irão e Iraque concentram-se 65% das reservas mundiais de petróleo e gás.
"Nesta altura, duas das mais críticas infraestruturas estão paralisadas: uma tem a ver com a Arábia Saudita, que é o porto de Ras Tanura, que está ligado ao maior complexo petroquímico do mundo, que é o complexo de Abequeia (Abqaiq), onde se processam oito milhões de barris por dia" e tem ao lado o maior campo de petróleo do mundo, Ghawar.
Isto "é muito significativo porque é o coração do sistema petrolífero internacional" e depois o Qatar, que tem o maior campo de gás do mundo, que é o do Northfield, que tem continuidade para o lado do Irão, crucial para os mercados de gás e exporta através do porto de Raj Laffan, também está paralisado.
"Queria só recordar que os 20 milhões de barris de petróleo que passam pelo Estreito de Ormuz significam" muito para os países asiáticos: mais de 84% deste petróleo que passa vai para os países asiáticos.
Ou seja, representa para o Japão 86% das importações de petróleo, para a Coreia do Sul 84%, China 42% e União Europeia (UE) 22%.
A UE, na sequência da guerra da Ucrânia, conseguiu diversificar a sua dependência do gás russo e agora importa dos EUA.
Depois, "a outra parte do gás europeu é importado do Qatar, que é exatamente a estrutura que está paralisada", diz.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o `ayatollah` Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
Secretário-geral do PS quer "plano de mitigação dos efeitos" na economia
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, defendeu hoje que o Governo deve "preparar um plano de mitigação dos efeitos" da guerra no Irão nos combustíveis, bens alimentares e nos custos dos empréstimos à habitação.
"O Governo deve preparar um plano de mitigação dos efeitos desta guerra no Médio Oriente, que não apenas tenha efeito nos combustíveis, mas também possa ter efeitos na redução dos custos dos bens alimentares e dos custos com os empréstimos à habitação", afirmou aos jornalistas.
José Luís Carneiro falava à entrada de uma reunião com militantes para a apresentação da recandidatura a secretário-geral do PS, na Lagoa, na ilha de São Miguel, nos Açores.
O líder socialista alertou que as "circunstâncias económicas vão-se agravar nos próximos tempos" devido à situação internacional e considerou a redução do Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (ISP) uma "medida escassa nos seus efeitos".
"A medida que o governo anunciou de redução de 13 cêntimos do ISP corresponde ao aumento que acabou de fazer em final de dezembro. O governo tem mesmo de dizer se quer ou não quer tomar decisões que tenham efeitos concretos na redução do ISP", declarou.
José Luís Carneiro avançou que marcou para segunda-feira um encontro com "empresas ligadas ao setor dos transportes e distribuição alimentar" e avisou que os "efeitos nocivos" da guerra no Irão deverão ser "profundos e duradouros".
"O governo deve antecipar os efeitos e não andar a correr atrás do prejuízo".
Questionado sobre a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos, o secretário-geral do PS lembrou que o primeiro-ministro "deu a própria palavra" na Assembleia República (AR) de que não existiram movimentos à margem do acordo bilateral.
"Temos de querer na palavra do primeiro-ministro na AR que foi a que não houve movimentos antes, nem depois à margem do acordo bilateral. Temos de fazer fé na palavra do primeiro-ministro porque se a palavra do primeiro-ministro falhasse num assunto tão estratégico então haveria um problema de credibilidade", reforçou.
José Luís Carneiro reconheceu que os Estados Unidos são um "aliado estratégico fundamental" para Portugal, mas salientou que a Base das Lajes "deve ser utilizada para respeitar e defender o direito internacional e a carta das Nações Unidas".
"Se eu estivesse no lugar do primeiro-ministro não deixaria de dizer a um dos nossos aliados mais importantes de que a decisão que tomou é uma decisão errada, ilegal e ilegítima à luz do direito internacional", insistiu.
Sobre a situação dos Açores, o líder do PS alertou que a região está a "viver um momento crítico da sua vida económica e social" e defendeu a estratégia do partido para "transformar" a economia açoriana.
"Pude ouvir várias personalidades representativas do tecido económico e social e estão a encontrar sérias dificuldades, nomeadamente no setor turismo, construção civil, na qualificação e fixação da população mais jovem e problemas sérios na mobilidade", vincou.
Carneiro garantiu que o PS acompanha "investimentos" que o governo deve realizar nas infraestruturas de Justiça e militares localizadas na região e defendeu que o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) também deve implementar medidas perante os efeitos da situação no Médio Oriente.
Aeroporto do Dubai suspendeu temporariamente operações
Os Emirados Árabes Unidos disseram estar a enfrentar um ataque proveniente do Irão.
"Para a segurança dos passageiros, do pessoal do aeroporto e das tripulações das companhias aéreas, as operações no Aeroporto Internacional do Dubai (DXB) foram temporariamente suspensas", informou o Gabinete de Imprensa do Dubai na rede social X.
No início da manhã, o Governo do Dubai confirmou no X "um incidente menor resultante da queda de detritos após uma interceção", ao mesmo tempo em que negou "informações que circulavam nas redes sociais sobre incidentes no Aeroporto Internacional do Dubai".
Irão recusa render-se mas suspende ataques a países vizinhos
Masoud Pezeshkian pediu, no entanto, desculpas pelos ataques de Teerão a países da região do Golfo Pérsico.
Garantiu ainda que o conselho de liderança interina do Irão aprovou a suspensão de bombardeamentos contra países vizinhos, a menos que um ataque contra o Irão parta desses países.
As declarações, emitidas na televisão estatal iraniana, surgiram na sequência de intensos ataques iranianos contra os estados árabes do Golfo na última madrugada.
Dezenas de milhares de peregrinos muçulmanos encurralados na Arábia Saudita
O caos nas viagens causado pela guerra no Médio Oriente afetou dezenas de milhares de muçulmanos indonésios, que se deslocaram à Arábia Saudita para a peregrinação da Umrah, deixando-os retidos e sem formas de regressar a casa.
Até esta quinta-feira, mais de 58.860 peregrinos indonésios estavam retidos na Arábia Saudita, de acordo com o vice-ministro indonésio para o Hajj e a Umrah da Indonésia, Dahnil Anzar Simanjuntak, citado pela Associated Press.
Jacarta está a negociar com as autoridades sauditas e com as companhias aéreas uma forma de aliviar os custos com hotéis e voos dos peregrinos retidos, anunciou Simanjuntak logo no início dos ataques, no passado dia 2.
Alguns peregrinos indonésios da Umrah já regressaram a casa, segundo as autoridades indonésioas, que informaram que 7.782 peregrinos regressaram à Indonésia entre 28 de fevereiro e 02 de março, avançou a agência pública indonésia Antara, citada pelo Jakarta Global.
O Governo indonésio também está a apelar outros cerca de 60.000 peregrinos a adiarem a viagem da Umrah até abril, por razões de segurança, a que o porta-voz do ministério, Ichsan Marsha, designou como uma "questão humanitária e logística urgente".
De acordo com o ministério indonésio para os Assuntos do Hajj e da Umrah, a quota do Hajj da Indonésia para 2026 - que acontece em abril - permanecerá em 221.000 peregrinos, avançou a Antara, a agência pública de notícias do país.
Mais de 43.000 peregrinos indonésios têm viagens programadas para a Umrah entre março e abril, antes do encerramento da temporada, segundo o Jakarta Post na sexta-feira.
Zanirah Faris, uma peregrina retida na Arábia Saudita, disse à emissora de televisão indonésia iNews TV que o seu voo de regresso foi cancelado e que foi transferida para outro voo marcado para 12 de março, pelo que instou o Governo indonésio a ajudar os peregrinos retidos.
Centenas de milhares de pessoas da Indonésia, país com a maior população muçulmana do mundo, viajam anualmente para a Arábia Saudita para os rituais da Umrah, especialmente durante o mês sagrado do Ramadão. Ao contrário do Hajj, a peregrinação pode ser realizada durante todo o ano.
Além dos indonésios, cerca de 1.600 peregrinos malaios da Umrah ficaram também retidos na Arábia Saudita, segundo Mohamad Dzaraif Raja Abdul Kadir, cônsul-geral da Malásia em Jeddah, no litoral saudita no mar Vermelho, na passada terça-feira.
A Malaysia Airlines anunciou entretanto a retomada temporária dos serviços de regresso de Jeddah e Medina, na Arábia Saudita, até domingo, e o ministério dos Negócios Estrangeiros malaio anunciou que está a trabalhar com missões diplomáticas, governos regionais e companhias aéreas para retirar os cidadãos retidos, incluindo os peregrinos.
A Umrah é frequentemente referida como uma peregrinação menor ou secundária e pode ser realizada durante todo o ano, ao contrário da peregrinação anual do Hajj.
O Hajj, um dos pilares do Islão, é obrigatório uma vez na vida para todos os muçulmanos que tenham condições financeiras e físicas para realizá-lo.
Washington aprova venda de munições a Israel sem passar pelo Congresso
Os Estados Unidos aprovaram uma venda de munições a Israel no valor de 151,8 milhões de dólares (130,6 milhões de euros), determinando que existe uma "emergência" que permite isentar o processo da revisão do Congresso.
A venda, aprovada na sexta-feira, inclui 12.000 corpos de bombas de uso geral BLU-110A/B de 1.000 libras, além de serviços de engenharia, logística e suporte técnico fornecidos pelo Governo dos Estados Unidos e contratados, de acordo com uma nota oficial do Departamento de Estado.
O secretário de Estado, Marco Rubio, determinou que existe uma emergência que requer a aprovação imediata da venda, o que permite isentar o processo habitual de revisão legislativa previsto na Lei de Controlo de Exportação de Armas.
A aprovação ocorre no contexto da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irão, após uma escalada militar na região nas últimas semanas.
Washington justificou a venda afirmando que contribuirá para a sua política externa e segurança nacional, reforçando a capacidade de defesa de Israel contra ameaças regionais e apoiando um parceiro estratégico dos Estados Unidos no Médio Oriente.
O Departamento de Estado indicou que parte das munições BLU-110A/B serão transferidas de inventários existentes nos Estados Unidos e que o principal contratante da operação será a Repkon USA, com sede no Texas.
O Presidente norte-americano afirmou esta sexta-feira que alguns dos principais fornecedores das Forças Armadas do país prometeram quadruplicar a produção de armamento de alta tecnologia, um compromisso que surge quando persistem as dúvidas sobre a profundidade do arsenal mais avançado de Washington na guerra contra o Irão.
"Eles concordaram em quadruplicar a produção de armamento de `classe requintada`, queremos atingir, o mais rapidamente possível, os níveis máximos de produção", escreveu Donald Trump numa mensagem na rede social que lhe pertence, Truth Social, no final do que classificou como "uma excelente reunião" com representantes de empresas do setor de armamento e defesa.
Bahrein pede "calma" à população e para se abrigar em "local seguro"
O reino do Bahrein pediu hoje aos seus cidadãos que "mantenham a calma e se dirijam para um local seguro" quando ecoavam sirenes em antecipação a um possível ataque aéreo.
De acordo com uma mensagem publicada na rede social X, o Ministério do Interior do Bahrein afirmou que "as sirenes foram ativadas" e instou "os cidadãos e residentes a manterem a calma e dirigirem-se ao local seguro mais próximo", sem dar mais detalhes sobre o possível ataque.
O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou na sexta-feira em entrevista com o canal norte-americano NBC News que os ataques do Irão nos países árabes são dirigidos contra bases e instituições norte-americanas, e não contra as nações vizinhas.
"O Irão e os nossos irmãos árabes coexistem há séculos num espírito de amizade e respeito mútuo", disse também Araghchi numa mensagem na sua conta oficial no X.
O chefe da diplomacia iraniana denunciou, no entanto, "os agressores americanos", que "lançam os seus ataques a partir das terras dos nossos amigos árabes, atacando crianças e civis inocentes". Por isso, concluiu que a resposta do Irão a esses ataques é inevitável.
Pelo menos quatro tripulantes morreram no ataque a um rebocador no estreito de Ormuz
Pelo menos quatro marinheiros morreram e outros três ficaram gravemente feridos após um rebocador ter sido atingido na sexta-feira por mísseis no estreito de Ormuz, a onze quilómetros da costa norte de Omã.
O tráfego marítimo está suspenso no estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais de combustível do mundo, após as ameaças do Irão, devido à ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o país persa.
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez, confirmou a morte dos marinheiros num comunicado em que lamentou que tenham sido "alvos dos ataques".
"Alarmou-me e entristeceu-me profundamente saber de um ataque mortal a uma embarcação no estreito de Ormuz a 06 de março de 2026, no qual, segundo se informa, pelo menos quatro marinheiros perderam a vida e três ficaram gravemente feridos", lê-se na nota.
Anteriormente, o Centro de Operações do Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) indicou que o incidente foi registado por volta das 12:57 horas (hora britânica).
"Recomenda-se que os navios transitem com precaução e que informem qualquer atividade suspeita ao UKMTO", afirmaram.
Já a OMI estimou que 20.000 marinheiros se encontram atualmente "presos" no Golfo Pérsico devido à interrupção do trânsito, estando "a bordo de navios sujeitos a um risco elevado e a uma tensão mental considerável".
"Isto é inaceitável e insustentável. Todas as partes (...) têm a obrigação de tomar as medidas necessárias para garantir a proteção das pessoas do mar, incluindo os seus direitos e bem-estar, e a liberdade de navegação, de acordo com o direito internacional", defendeu Domínguez.
Este incidente ocorreu depois de o navio porta-contentores `Safeen Prestige`, com bandeira de Malta, ter sido danificado por um projétil esta semana enquanto navegava perto das águas do estreito de Ormuz.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, assegurou esta quinta-feira que o país não procedeu ao encerramento de Ormuz, embora não tenha descartado tomar medidas nesse sentido se a situação "o exigir" depois de a Guarda Revolucionária iraniana ter ameaçado atacar qualquer navio que atravessasse as suas águas, garantindo que controlava o estreito.
EUA vão enviar para Médio Oriente sistema antidrone usados pela Ucrânia
Os Estados Unidos vão reforçar as suas bases no Médio Oriente, sob ataques do Irão, com sistema anti drone usados eficazmente na Ucrânia contra aparelhos semelhantes russos, noticiou a agência AP.
Embora os Estados Unidos tenham utilizado com sucesso os sistemas de mísseis Patriot e THAAD para abater mísseis iranianos, as defesas anti drone eficazes no Médio Oriente são atualmente limitadas, afirmou à AP um responsável de defesa norte-americano sob anonimato.
Segundo outro responsável das forças norte-americanas, que também pediu anonimato, a defesa dos `drones` Shahed do Irão tem sido "dececionante", principalmente porque estes são uma versão muito mais básica do mesmo `drone` que a Rússia está continuamente a melhorar e a atualizar na sua guerra na Ucrânia.
Em pleno conflito no Médio Oriente, desencadeado no sábado por ataques norte-americanos e israelitas contra a República Islâmica, os países do Golfo Pérsico queixaram-se de não terem tido tempo suficiente para se prepararem para a inundação de `drones` e mísseis iranianos lançados sobre os seus territórios.
O sistema que está a ser enviado, conhecido como Merops, utiliza `drones` para combater outros `drones`, sendo pequeno o suficiente para caber na carroçaria de uma carrinha de caixa aberta média.
O Merops identifica `drones` e aproxima-se deles, usando inteligência artificial para navegar mesmo quando as comunicações eletrónicas e via satélite são bloqueadas.
Os `drones` são difíceis de localizar em sistemas de radar calibrados para detetar mísseis de alta velocidade e podem ser confundidos com aves ou aviões.
O sistema Merops é também mais barato do que disparar um míssil que custa centenas de milhares de dólares contra um `drone` que custa menos de 50.000 dólares.
Em novembro, o sistema Merops foi implantado na Polónia e na Roménia, países da NATO, depois de `drones` de ataque russos terem entrado repetidamente no espaço aéreo da NATO.
Segundo as fontes citadas pela AP, os Estados Unidos aprenderam lições com a implantação do sistema e de outros semelhantes na Ucrânia.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou na quinta-feira que os Estados Unidos solicitaram apoio à Ucrânia para se protegerem dos `drones` iranianos.
"Recebemos um pedido dos Estados Unidos para apoio específico na proteção contra os Shahed no Médio Oriente", disse o líder ucraniano na rede social X, referindo-se ao modelo de `drones` iranianos usados pelas forças de Moscovo nas suas vagas de bombardeamentos intensivos contra a Ucrânia, desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
Volodymyr Zelensky indicou ter já ordenado o fornecimento dos "recursos necessários" e de "especialistas ucranianos" para responder a este pedido de assistência de segurança.
No Médio Oriente, os sistemas Merops serão implantados em vários locais, incluindo onde não há presença de forças norte-americanas, refere a AP.
A maioria dos sistemas será enviada diretamente pela Perennial Autonomy - fabricante apoiado pelo ex-CEO da Google, Eric Schmidt - e não afetará as defesas na Europa, segundo as mesmas fontes.
Ataque a escola que matou quase 200 crianças feito pelos EUA, segundo AP
Imagens de satélite, análises de peritos, afirmações de um dirigente dos EUA e informação divulgada por militares norte-americanos e israelitas sugere que a morte de quase 200 crianças iranianas por um ataque aéreo é atribuível aos norte-americanos.
O trabalho de recolha da informação foi feito pela AP.
Ocorrido em 28 de fevereiro, o ataque à escola primária feminina Shajareh Tayyebeh, causou 165 mortes, e suscitou fortes críticas da Organização das Nações Unidas e observadores dos direitos humanos.
A escola situa-se na cidade de Minab, 1.100 quilómetros a sudeste de Teerão.
O Irão responsabilizou EUA e Israel pelo ataque, que não aceitaram a responsabilidade.
Mas vários fatores apontam para os EUA enquanto autores do ataque.
Um é o lançamento de um inquérito ao incidente pelos militares norte-americanos, procedimento padrão depois de um grupo de investigadores fazer um apuramento inicial que aponte para a culpabilidade norte-americana. Um oficial dos EUA disse à AP, sib anonimato, que o ataque provavelmente deveria ter sido feito pelos EUA.
Outro é a localização da escola - nas proximidades da base da Guarda Revolucionária na província de Hormozgan e próxima das instalações da sua brigada naval.
Israel tem atacado o Irão, mas não há relatos que tenha feito ataques a sul de Isfahan. Os EUA têm navios de Guerra no Golfo Pérsico, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, com a escola no seu raio de ação.
Quando inquirido pela AP sobre esta informação, o porta-voz do Comando Central, capitão Tim Hawkins, disse: "Não é apropriado fazer comentários a um incidente que está sob investigação".
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse hoje a jornalistas que não tinha informação atualizada sobre a investigação.
A escola está junto a um espaço muralhado, designado em mapas como o Complexo Cultural Seyyed Al-Shohada da Guarda.
O ataque causou uma condenação geral, desde logo do secretário-geral da ONU. O criticismo segue-se também a várias notícias de ataques a outras escolas no Irão.
Atacar escolas é uma violação clara do direito internacional que regula os conflitos armados, disse Elise Baker, uma advogada sénior de um centro de reflexão em Washington, o Atlantic Council.
"Os ataques legalmente apenas podem atingir objetivos limitares e combatentes, mas a escola era uma instalação civil e os estudantes e professores eram civis", disse Baker. "A proximidade da escola às instalações (da Guarda) e a frequência dos filhos dos seus membros (da Guarda) não muda a conclusão: era uma instalação civil".
EUA dizem ter atacado mais de 3.000 alvos na primeira semana do conflito
Mais de 3.000 alvos foram atacados no Irão e mais de 43 embarcações foram destruídas ou danificadas na primeira semana de ataques aéreos norte-americanos contra o país persa, segundo um relatório divulgado hoje pelo Comando Central dos EUA (Centcom).
A mais recente atualização dos dados revela um aumento significativo do número de alvos atingidos em solo iraniano em comparação com os cerca de 2.000 que as Forças Armadas norte-americanas afirmaram ter atacado com sucesso até quinta-feira, noticiou a agência Efe.
Entre os alvos estão importantes infraestruturas militares, como os quartéis-generais da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e das Forças Aeroespaciais da IRGC, bem como vários centros de comando e controlo.
O Centcom também reportou ataques contra sistemas integrados de defesa aérea, locais de mísseis balísticos, locais de mísseis antinavio e navios e submarinos da Marinha iraniana.
Esta destruição fez com que o volume de ataques iranianos caísse drasticamente desde o início das hostilidades do passado sábado, garantem as forças norte-americanas.
O comandante do Centcom, Brad Cooper, referiu na quinta-feira, em conferência de imprensa ao lado do secretário da Defesa, Pete Hegseth, que os ataques com mísseis iranianos diminuíram 90%, enquanto os ataques com drones caíram 83%.
No relatório, o Centcom aponta ainda que 43 embarcações iranianas foram destruídas ou danificadas.
Entre elas, está um porta-drones "aproximadamente do tamanho de um porta-aviões da Segunda Guerra Mundial", que foi atacado na quinta-feira.
Os EUA mobilizaram bombardeiros B-2 e B-52, caças furtivos F-35 e drones kamikaze LUCAS no conflito, um sistema que os Estados Unidos construíram com recurso à engenharia de drones iraniana.
O número de mortos na sequência dos ataques israelitas e norte-americanos contra o Irão desde sábado subiu para 1.230, segundo a Fundação de Mártires e Assuntos de Veteranos, uma empresa estatal iraniana.
Entre os mortos está o ayatollah Ali Khamenei, que foi morto na primeira vaga de bombardeamentos no sábado.
No Líbano, 217 pessoas foram mortas e outras 798 ficaram feridas em consequência de ataques aéreos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu na quinta-feira que o Irão será devastado por um período de dez anos antes de se poder reconstruir.
Qatar anuncia retoma do tráfego aéreo de forma parcial
A autoridade de aviação civil do Qatar anunciou hoje a reabertura parcial do espaço aéreo do pequeno Estado do Golfo, após o seu encerramento em resposta aos ataques iranianos lançados em retaliação pela ofensiva israelo-americana.
"A Autoridade de Aviação Civil do Qatar anuncia a retoma parcial do tráfego aéreo no Estado do Qatar, através de corredores de emergência predefinidos com capacidade operacional limitada", revelou.
"Esta fase inclui a implementação de um número limitado de voos de retirada de passageiros, para além dos voos de carga", acrescentou.
O Qatar adiantou também hoje à noite que foi alvo de dez drones iranianos.
"O Qatar foi alvo de uma série de ataques da República Islâmica do Irão envolvendo dez drones, que começaram na madrugada de sexta-feira", explicou o Ministério da Defesa.
As forças armadas "intercetaram com sucesso nove drones, enquanto um atingiu uma zona desabitada, sem causar vítimas".
Na madrugada de hoje, o Governo do Qatar anunciou ter intercetado vários mísseis no seu espaço aéreo.
A defesa aérea do Qatar também garantiu ter frustrado um ataque com drones contra a base de Al Udeid, em Doha, que acolhe militares norte-americanos.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, alegadamente motivado pela inflexibilidade do regime político nas negociações sobre o enriquecimento de urânio, no âmbito do programa nuclear, que afirmavam destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Trump diz que EUA estão prontos para quadruplicar a produção de armas avançadas
As principais empresas da indústria de defesa dos EUA concordaram em quadruplicar a produção de armas avançadas, anunciou o presidente Donald Trump esta sexta-feira.