Israel bloqueia tratamento oncológico a criança de cinco anos

Israel bloqueia tratamento oncológico a criança de cinco anos

O Tribunal Distrital de Jerusalém rejeitou o pedido de tratamento oncológico a uma criança palestiniana de cinco anos. Apesar de viver na Cisjordânia desde 2022, a morada de residência na Faixa de Gaza terá sido a justificação apresentada pelo juiz.

RTP /
Reuters

O tribunal israelita rejeitou o recurso da família para que a criança entrasse em Israel e fosse transferida para o hospital Tel HaShomer, para receber um transplante de medula óssea que os médicos consideravam urgente.

A criança viu bloqueado o atendimento médico por estar registado como residente em Gaza, região onde existe essa proibição.


O juiz Ram Winograd explicou que o pedido desobedecia às regras impostas pelas forças de segurança após o ataque de 7 de outubro de 2023. De acordo com a lei, residentes da Faixa de Gaza não estão autorizados a atravessar a fronteira e a situação apresentada não compreendia “uma diferença relevante” para levantar as restrições.

Ao jornal israelita Haaretz, a mãe da criança acusou o tribunal de ter ditado a “sentença de morte” ao filho e confirma que já não tem esperança de que a decisão seja revertida.

O parecer negativo ao pedido da família reflete a proibição de passagem da fronteira, incluindo a pacientes com cancro que, antes do início do conflito, tinham acesso a consultas e tratamentos de rotina em Jerusalém.

A organização para os direitos humanos Gisha, envolvida neste processo desde novembro de 2025, acusou o Tribunal Distrital de Jerusalém e as autoridades israelitas de “apoiarem uma política ilegal que condena crianças à morte, mesmo quando o tratamento que salva vidas está ao seu alcance”.

Apesar da reabertura da passagem de Rafah, mais de dez mil pacientes palestinianos com doenças oncológicas estão presos em Gaza.

De acordo com as autoridades de saúde em Gaza, quatro mil pessoas já foram encaminhadas para tratamentos noutros países, mas não conseguem atravessar a fronteira. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já confirmou a morte de 900 pessoas que aguardavam a evacuação.
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