Israel. Ex-ministro da Defesa Benny Gantz retira-se da corrida eleitoral
O ex-ministro da Defesa israelita Benny Gantz anunciou hoje a sua retirada da corrida às próximas eleições legislativas de Israel, marcadas para 27 de outubro.
"Não me candidatarei às próximas eleições", afirmou Gantz num breve comunicado enviado à comunicação social israelita, no qual afiança que continuará "a lutar pela unidade" à distância, por entender que se trata da "única solução que evitará outra catástrofe e protegerá Israel de todos os desafios, tanto internos como externos".
Gantz tinha comentado há uns dias que tomaria esta decisão se a coligação Azul e Branco-Unidade Nacional, que lidera, não conseguisse subir nas sondagens, nenhuma das quais lhe atribuía os 3,25% dos votos necessários para ter assento parlamentar, rondando as estimativas apenas cerca de 1% dos votos.
Até há seis anos líder da oposição, Benny Gantz abandona uma corrida eleitoral que se tornou, acima de tudo, uma luta entre dois partidos: o Likud, do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o Yashar! (Reto!), dirigido pelo ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, mas nenhum dos quais se aproxima, por si só, de uma maioria absoluta (61 lugares).
Segundo o diário israelita Haaretz, apesar da retirada de Gantz, o seu partido irá a votos, a não ser que os restantes candidatos decidam também retirar as suas candidaturas nos próximos dias.
O partido Azul e Branco tem sofrido um declínio progressivo ao longo dos anos: passou de 35 assentos parlamentares, conquistados na sua estreia eleitoral, em 2018 (resultado que, hoje, o tornaria o partido mais votado nas próximas eleições), para os 12 assentos obtidos nas últimas legislativas, em 2022.
O político de direita, antigo general das Forças Armadas, integrou o Gabinete de Guerra formado em Israel após o ataque do movimento islamita palestiniano de 07 de outubro de 2023 ao país.
Embora fizesse parte da oposição, foi o único líder partidário que atendeu ao pedido de Netanyahu para formar um Governo de unidade nacional em tempo de guerra.
Fez parte desse Governo - primeiro como ministro da Defesa e, depois, entre 2023 e 2024, como ministro sem pasta - até que, a 09 de junho, se demitiu devido a divergências com Netanyahu sobre a condução da guerra.
Em junho de 2024, Gantz era o favorito para se tornar primeiro-ministro: as sondagens da televisão pública Kan atribuíam-lhe, inclusive, 27 mandatos parlamentares.
A média das principais sondagens para as legislativas deste mês aponta para 22 mandatos para o partido mais votado, o Yashar!, do principal adversário de Netanyahu, Gadi Eisenkot.