Israel promete manter presença militar nos Montes Golã e outros territórios ocupados

Israel promete manter presença militar nos Montes Golã e outros territórios ocupados

O ministro da Defesa israelita reiterou hoje que Israel não se retirará dos Montes Golã, nem tão pouco de outros territórios sírios ocupados, em resopsta ao discurso do Presidente interino sírio na Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Ammar Awad - Reuters

"Os Montes Golã, sob a soberania de Israel, são uma parte indissociável do Estado de Israel para sempre", afirmou Israel Katz num comunicado, em resposta ao apelo de Ahmad al-Sharaa no debate geral da 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, para que as forças israelitas se retirem para as linhas que ocupavam antes da queda do regime de Bashar al-Assad.

Além disso, o ministro da Defesa israelita sustentou que Telavive manterá as suas posições no Monte Hermon e na zona de segurança "enquanto existir uma ameaça jihadista" contra a fronteira e as comunidades israelitas, tanto por parte das forças de segurança sírias como de outros grupos armados.

"Se atacarem as nossas forças ou o território do Estado de Israel a partir da Síria, teremos de agir e responder", advertiu o ministro, acrescentando que qualquer território que Israel conquiste nesse cenário continuará a ser seu "para sempre, de acordo com as leis da guerra".

Acusou também o antigo regime sírio de ter violado as condições do acordo de separação de forças de 1974 e de ter permitido que a Síria se tornasse uma "base iraniana" e uma ameaça para Israel.

A troca de palavras ocorreu horas depois de Al-Sharaa ter exigido, perante a Assembleia-Geral, a retirada israelita dos territórios ocupados e ter reafirmado a soberania síria sobre os Montes Golã.

Al-Sharaa exigiu a retirada das forças israelitas para as suas posições de 2024 e denunciou que, desde a queda de Al-Assad, Israel realizou 500 ataques aéreos, mais de 1.200 incursões e 300 detenções na Síria.

Israel capturou e ocupou a maior parte dos Montes Golã durante a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, e anexou o território em 1981, o que uma resolução da ONU declarou nulo, inválido e sem qualquer efeito internacional.

No seu discurso nas Nações Unidas, o líder interino sírio referiu ainda "o mundo aplaudiu o nosso regresso", mas que "Israel continua a atacar a Síria".

"A guerra ensinou-nos que a verdade é forte e que a falsidade é fraca. A Síria continuará a sua reconstrução", continuou Al-Sharaa, referindo-se à guerra civil (2011-2024) que assolou o país e em que participou como então líder do grupo islamita sírio Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Sham ou HTS, em árabe), que derrubou o regime do ex-presidente sírio Bashar al-Assad, a 08 de dezembro de 2024.

 

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