Israel rejeita trégua de 14 dias em Gaza apesar da pressão dos EUA

Israel rejeita trégua de 14 dias em Gaza apesar da pressão dos EUA

A televisão pública israelita Kan informou na noite de sexta-feira que os ministros do Governo de Benjamin Netanyahu se opõem à implementação de um cessar-fogo de duas semanas na Faixa de Gaza, apesar da pressão dos Estados Unidos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Reuters

"Os Estados Unidos estão a pressionar Israel para que inicie um cessar-fogo de duas semanas em Gaza", informou a Kan no seu noticiário de sexta-feira à noite, acrescentando que os ministros se opuseram, alegando que "há margem para continuar a utilizar a força" durante a reunião do Gabinete de Segurança de quinta-feira.

A ideia de uma trégua tem a ver com a necessidade de travar os ataques com vista à aplicação do plano de desarmamento do Hamas.

Além disso, o correspondente do canal de televisão israelita i24News, que também teve acesso às deliberações do Gabinete, recordou na sexta-feira que, após a reunião, ficou por decidir a autorização formal de Israel para a entrada em Gaza da Força Internacional de Estabilização, um contingente multinacional proposto no âmbito do Conselho da Paz promovido por Trump.

Meios de comunicação social israelitas informaram, após a reunião do Gabinete de Segurança do país, que o órgão presidido por Netanyahu exigiu durante a sessão de quinta-feira a retoma dos ataques aéreos em Gaza, interrompidos desde segunda-feira.

"O Hamas aceitou o plano de 15 pontos, mas não renunciou ao seu objetivo de destruir Israel", advertiu durante a reunião o brigadeiro-general Ofir Mizrahi-Rozen, chefe da inteligência militar do Exército israelita, em declarações citadas pelo jornal Israel Hayom e reproduzidas por outros meios de comunicação social do país.

"É evidente que o Hamas está a tentar passar-nos a responsabilidade", acrescentou Mizrahi-Rozen.

Por seu lado, David Zini, chefe do Shin Bet -- o serviço de segurança interna israelita --, advertiu o gabinete de que o acordo do Hamas sobre o roteiro para Gaza é uma "emboscada estratégica", destinada a ganhar tempo e a garantir que Israel não volte a operar em Gaza antes das eleições, previstas para o outono.

Vários ministros, entre os quais Bezalel Smotrich, Orit Strock, Avi Dichter e Zeev Elkin, todos de extrema-direita, pressionaram Netanyahu para que declare formalmente a rejeição de Israel à aplicação do plano anunciado no final de julho pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aprovado pelo Hamas, segundo o qual a milícia palestiniana se comprometia a desarmar-se se as tropas israelitas abandonassem a Faixa.

Na reunião, o ministro ultranacionalista da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, confrontou Netanyahu e apelou à manutenção diária de ataques seletivos em Gaza, ao que o primeiro-ministro respondeu que "nos próximos 90 dias, nada será tático".

Depois de meses de ataques mortíferos quase diários, o Exército israelita não bombardeia a Faixa de Gaza desde a noite de segunda-feira, o mesmo dia em que o alto representante do Conselho da Paz para Gaza, Nikolai Mladenov, se reuniu com Netanyahu e, alegadamente, lhe pediu que travasse os ataques.

Os ataques terrestres, contudo, prosseguiram e fizeram três feridos hoje em Khan Yunis, no sul.

Segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 11 de outubro de 2025, o balanço ascende a 1.255 mortos, 4.125 feridos e 806 corpos recuperados, enquanto o total desde o início da guerra, em 07 de outubro de 2023, é de 73.382 mortos e 174.236 feridos.

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