Líbano acusa Israel de disparar perto de tropas libanesas em zonas-piloto
O Líbano acusou hoje as forças israelitas de dispararem "perto das suas tropas" no sul do Líbano, numa das zonas-piloto de onde o exército israelita se está a retirar para dar lugar às forças libanesas.
"Enquanto as unidades militares procediam à sua mobilização na localidade de Zawtar al Gharbiya, em Nabatieh, as forças de ocupação israelitas abriram fogo perto dessas unidades", denunciou o exército libanês num comunicado.
As forças libanesas começaram a ocupar as posições anteriormente ocupadas pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) no âmbito do acordo mediado pelos Estados Unidos entre ambos os países.
Além disso, o Comando do Exército do Líbano, que nunca interveio na guerra entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, limitando-se a realizar tarefas humanitárias e de socorro, confirmou que "este ataque vai dificultar a implementação das medidas de destacamento" nas zonas-piloto previstas no acordo.
Estas medidas estão a ser conduzidas em conjunto com o Grupo de Coordenação Militar para o Líbano (MCG4L), um mecanismo composto por representantes militares libaneses, israelitas e norte-americanos para supervisionar o acordo-quadro de cessar-fogo e a mobilização do exército após a retirada de Israel, disse o comando militar.
As Forças Armadas libanesas iniciaram a mobilização em Zawtar al Gharbiya, em coordenação com o MCG4L, ao mesmo tempo que apelaram à população para que não "se dirija à cidade até que a situação de segurança se estabilize".
Na segunda-feira, o exército libanês anunciou que se tinha deslocado para Froun e Srifa, as outras duas zonas de deslocamento condicionado e também situadas no sul, coincidindo com a declaração dos Estados Unidos sobre o início da execução desta operação de transferência de controlo.
De acordo com o texto do acordo-quadro assinado pelas três partes, as Forças Armadas libanesas vão assumir gradualmente a responsabilidade pela "segurança plena e efetiva" nas designadas zonas-piloto, de onde as tropas israelitas vão retirar gradualmente.
No entanto, a retirada israelita vai estar condicionada ao "desarmamento bem-sucedido dos grupos armados não estatais e ao desmantelamento da infraestrutura nessas zonas", numa referência ao Hezbollah, de acordo com o texto do acordo.
O Presidente libanês, Joseph Aoun, vai reunir-se durante o dia com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca, numa altura em que Washington pressiona Beirute a desarmar o Hezbollah, apoiado pelo Irão.
O Presidente libanês indicou que pretende pedir ao líder republicano que pressione Israel a retirar do sul.
No entanto, Israel recusa qualquer retirada até que o movimento xiita seja desarmado, uma medida também exigida por Washington.
No início de março, o Hezbollah arrastou o Líbano para uma nova guerra com Israel em solidariedade com o Irão.
Mais de 4.300 pessoas foram mortas desde então em ataques aéreos israelitas maciços. Israel lançou também uma ofensiva terrestre e ocupou grande parte do sul do Líbano.