Mais de 120 mortos em confrontos entre tropas iemenitas e rebeldes Huthis

Mais de 120 mortos em confrontos entre tropas iemenitas e rebeldes Huthis

Mais de 120 pessoas morreram desde quinta-feira em confrontos entre as forças governamentais do Iémen e os rebeldes Huthis, segundo um balanço hoje divulgado à agência France-Presse (AFP) por fontes militares e médicas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Al Joumhouriya TV via Reuters

O número de mortos entre as tropas governamentais e os seus aliados era de 66 no último balanço, disse um oficial militar sob anonimato, enquanto fontes médicas e de segurança registaram pelo menos 62 mortes entre os Huthis.

Um civil foi também morto, segundo outra fonte médica.

Os confrontos no Iémen intensificaram-se nos últimos dias, depois de os rebeldes aliados do Irão terem lançado uma ofensiva nas proximidades do estreito de Bab el-Mandeb.

Os Huthis lançaram uma ofensiva terrestre na quinta-feira, apoiada por disparos de `rockets` e ataques com drones, perto da costa do Mar Vermelho e na região de Taiz, mais para o interior.

Uma fonte militar relatou que os rebeldes tentam conquistar áreas que fazem fronteira com o estreito de Bab el-Mandeb, uma via navegável estratégica utilizada para ligar o continente asiático à Europa através do Canal do Suez.

Nem os rebeldes nem o Governo divulgaram ainda um número oficial de mortos.

Fontes militares do Governo disseram à AFP que os rebeldes, no âmbito da sua ofensiva, estavam a tentar isolar a cidade portuária de Mokha --- situada a norte do estreito e alvo de ataques há várias semanas --- do resto das zonas controladas pelo Governo.

Segundo estas fontes, os Huthis tomaram posições estratégicas nas elevações com vista para as posições governamentais perto do Mar Vermelho e da cidade costeira de al-Khokha, bem como de Taiz.

Para conter esta ofensiva e tentar retomar o controlo da zona, o Governo enviou reforços para Taiz.

De acordo com um responsável sediado em Aden, estes reforços foram mobilizados a pedido da Arábia Saudita, aliada do Governo iemenita reconhecido pela comunidade internacional.

Os Huthis não dominam atualmente nenhuma área com vista direta para o estreito de Bab el-Mandeb, mas controlam a cidade portuária de Hodeida, a norte de Mokha.

O estreito de Bab el-Mandeb é de especial importância estratégica para a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, por se ter tornado a única rota marítima acessível desde que o Irão bloqueou o Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica, no início da guerra lançada por Estados Unidos e Irão, em 28 de fevereiro, contra a República Islâmica.

Em julho, os Huthis anunciaram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e, desde então, têm reivindicado a responsabilidade por vários ataques contra petroleiros sauditas no Mar Vermelho.

O Iémen foi palco de um conflito devastador entre as forças governamentais, apoiadas por Riade, e os rebeldes entre 2014 e 2022, quando entrou em vigor um cessar-fogo.

O país voltou a mergulhar na guerra em julho, arrastado pelo novo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão, que se propagou por quase todo o Médio Oriente.

Na altura, ataques atribuídos à Arábia Saudita atingiram o aeroporto de Sanaa, controlado pelos Huthis, para onde o Irão tinha enviado um avião com uma delegação rebelde sem autorização de Riade, que controla o espaço aéreo iemenita.

Desde então, os rebeldes intensificaram os seus ataques contra instalações militares e áreas controladas pelo Governo.

Na base da guerra no Iémen, está uma ofensiva dos Huthis, lançada a partir do seu bastião no norte do país, perto da fronteira com a Arábia Saudita, durante a qual tomaram o controlo de grandes extensões de território, incluindo a capital, Sanaa.

O Governo, sediado em Aden, no sul do país, recebeu ajuda em 2015 de uma coligação militar liderada por Riade.

Os Huthis integram o chamado eixo da resistência, formado por grupos políticos e armados apoiados pelo Irão, a par do Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano e milícias xiitas no Iraque.

Tópicos
PUB