Ministro israelita desafia Sánchez a acolher habitantes de Gaza
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, dirigiu hoje uma mensagem irónica ao primeiro-ministro espanhol sobre a crise migratória em Ceuta, desafiando-o a "conceder refúgio" aos habitantes de Gaza que desejem emigrar.
Dezenas de milhares de migrantes, cerca de 60.000, segundo o presidente da cidade autónoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, entraram na cidade a partir de Marrocos desde quinta-feira, numa crise migratória que levou vários países da União Europeia (UE) a defenderem a suspensão de Espanha do espaço Schengen.
"As minhas felicitações ao presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, pelo seu profundo compromisso com o acolhimento da imigração e com a `diversidade humana`", escreveu o ultranacionalista israelita Ben-Gvir nas redes sociais.
"Como alguém que demonstra uma grande preocupação com o Hamas e com os habitantes de Gaza, apelo-lhe para que transforme as palavras em atos: abra as portas de Espanha e conceda refúgio aos habitantes de Gaza que pretendam emigrar", considerou, afirmando tratar-se de "uma excelente oportunidade para contribuir um pouco mais para a `diversidade humana` de Espanha".
O Governo israelita critica regularmente o executivo de Pedro Sánchez desde o final de 2023, quando começou a ofensiva israelita em Gaza, devido à posição espanhola de defesa do Direito internacional humanitário e às acusações de genocídio no enclave palestiniano.
O chefe do Governo espanhol manifestou-se também a favor da suspensão do acordo de associação entre Israel e a União Europeia, bem como do fim dos ataques e da ocupação de território libanês pelo exército israelita.
Ben-Gvir, por seu lado, defende a destruição total da Faixa de Gaza e a expulsão da população palestiniana. Também tem defendido um endurecimento do regime prisional aplicado aos detidos palestinianos nas cadeias israelitas, que tutela enquanto ministro da Segurança Nacional.
Hoje, Sánchez afirmou que os acontecimentos em Ceuta resultam de uma interpretação, por parte das redes de tráfico de seres humanos, da decisão do Supremo Tribunal espanhol que impedia as chamadas devoluções imediatas de pessoas que chegassem a nado ao território espanhol.
Segundo o Governo espanhol, 35.000 pessoas que entraram ilegalmente na cidade na quinta-feira e na madrugada de hoje já voltaram a Marrocos por iniciativa própria até ao início da tarde.
O executivo espanhol estima em 50.000 o número de pessoas que entrou em Ceuta ilegalmente nas últimas 24 horas, enquanto o governo autónomo disse que podem ter sido 60.000.
O primeiro-ministro espanhol disse que tem havido boa cooperação com Marrocos nesta crise, agradecendo às autoridades de Rabat, e afirmou que vão ser acelerados os processos de repatriamento.