ONU exige a libertação imediata e incondicional dos ativistas da flotilha
As Nações Unidas exigiram hoje a libertação "imediata e incondicional" dos dois ativistas detidos durante a abordagem da flotilha Global Sumud na semana passada em águas internacionais do Mar Mediterrâneo e levados para Israel.
"Israel deve libertar imediata e incondicionalmente Saif Abukeshek e Thiago Ávila, membros da Flotilha Global Sumud, que foram detidos em águas internacionais e levados para Israel, onde permanecem detidos sem acusação", disse Thameen al Kheetan, porta-voz do gabinete do Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk.
O porta-voz sublinhou que "mostrar solidariedade e tentar entregar ajuda humanitária à população palestiniana em Gaza, que dela necessita urgentemente, não é crime".
"Os relatos perturbadores dos graves maus-tratos sofridos por Abukeshek e Ávila devem ser investigados e os responsáveis levados à justiça", afirmou.
Al Kheetan pediu ainda a Israel que cesse o uso da "detenção arbitrária" e da sua legislação antiterrorista, que descreveu como "vaga", considerando-a "incompatível com o Direito Internacional dos Direitos Humanos".
"Israel deve também suspender o bloqueio a Gaza e permitir e facilitar a entrada de ajuda humanitária suficiente na Faixa de Gaza cercada", acrescentou, poucas horas antes de uma audiência num tribunal israelita para analisar o recurso apresentado pela organização Adalah contra a decisão de prolongar a detenção dos dois ativistas por seis dias, até ao próximo domingo.
Abukeshek e Ávila foram detidos na quinta-feira em águas internacionais e foram acusados de crimes de terrorismo pelas autoridades israelitas.
Os dois foram detidos juntamente com outros cerca de 170 ativistas, quando o Exército israelita intercetou cerca de metade dos navios pertencentes à Flotilha Global Sumud, a cerca de 100 quilómetros a oeste da ilha grega de Creta, em águas internacionais.
No entanto, no caso destes dois, Israel decidiu extraditá-los para o seu território para serem julgados. Os demais ativistas foram levados para a Grécia e libertados.
Abukeshek e Ávila estão em greve de fome desde a detenção e estão a ser interrogados por agentes israelitas.
Segundo a defesa, não existe qualquer ligação entre a entrega de ajuda humanitária à população civil através da flotilha, que visava quebrar o bloqueio israelita a Gaza, e uma "organização terrorista".
A defesa realçou ainda que as leis israelitas não se aplicam porque os dois ativistas foram sequestrados a mil quilómetros da costa de Gaza e não são cidadãos de Israel.
A Flotilha Global Sumud para Gaza era inicialmente composta por cerca de 50 barcos e, segundo os seus organizadores, visava quebrar o bloqueio israelita ao território palestiniano devastado pela guerra e levar ajuda humanitária, que permanece severamente restringida.