ONU pede contenção para impedir que Iémen seja arrastado para conflito

ONU pede contenção para impedir que Iémen seja arrastado para conflito

A ONU pediu hoje a todas as partes envolvidas no conflito no Médio Oriente para que atuem com contenção e não permitam que o Iémen "seja arrastado ainda mais" para a instabilidade regional.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Khaled Abdullah - Reuters

O apelo foi deixado pelo secretário-geral adjunto interino da ONU para os Assuntos Humanitários, Indrika Ratwatte, numa reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas solicitada pelo Governo iemenita.

Na mesma reunião, o secretário-geral adjunto da ONU para o Médio Oriente, Khaled Khiari, indicou que os recentes acontecimentos no Iémen são um lembrete contundente de que "não existe alternativa a um processo político inclusivo e liderado pelos iemenitas".

Ao descrever os acontecimentos recentes, Khiari afirmou que, em 03 de julho, uma aeronave iraniana teria viajado de Teerão para o Aeroporto Internacional de Sana antes de retornar à origem.

A aeronave transportava uma delegação de rebeldes Huthis ao funeral do ex-líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e o governo do Iémen considerou o voo uma violação do seu espaço aéreo e da sua soberania.

Hoje, outro avião iraniano que transportava uma delegação dos Huthis que retornava de Teerão aterrou no Aeroporto de Hudaydah. 

Tudo isto após relatos de ataques aéreos no Aeroporto Internacional de Sana, os quais os Huthis atribuíram à Arábia Saudita.

Entretanto, o governo iemenita, reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, reivindicou a responsabilidade pelo ataque ao aeroporto, afirmando que a operação visou impedir a aterragem do avião iraniano.

O executivo iemenita já havia alertado o Irão contra voos não autorizados para o país e prometeu tomar todas as medidas necessárias.

Após os ataques aéreos relatados contra o Aeroporto Internacional de Sana, os Huthis anunciaram o "fim da fase de desescalada" com a Arábia Saudita e, em seguida, lançaram mísseis balísticos contra aquele país, que foram intercetados.

 "Estamos profundamente preocupados com o risco de uma escalada mais ampla. O Iémen e a região em geral não podem suportar outro ciclo de escalada. Apelamos a todos os intervenientes para que se empenhem construtivamente em negociações sob os auspícios da ONU", instou Khaled Khiari.

"A nossa mensagem é clara: medidas unilaterais não aproximarão o Iémen da paz. Pelo contrário, elevam o risco de aprofundar as divisões, acelerar a fragmentação e aumentar o perigo de uma nova escalada e confronto militar", acrescentou.

Na frente humanitária, Ratwatte frisou que o Iémen está a enfrentar múltiplos choques, como o agravamento da insegurança alimentar, o impacto previsto do El Niño na produção de alimentos e nos meios de subsistência e uma queda sem precedentes no financiamento humanitário.

Segundo o representante da ONU, em todo o país, as famílias enfrentam uma combinação assustadora de fome, declínio económico, deslocamento forçado, surtos de doenças e colapso dos serviços básicos.

"Todo o corte de verbas tem um rosto humano", observou,

Ratwatte apelou aos doadores por financiamento sustentado e flexível, e ao Conselho de Segurança para que defenda, nos "termos mais enfáticos possíveis", a libertação imediata e incondicional de todos os detidos arbitrariamente, incluindo 73 colegas da ONU.

Já a representante do Reino Unido, Kate Foster, afirmou que o seu país apoiou a reunião de hoje, juntamente com os Estados Unidos, a França e o Bahrein, a favor da soberania do Iémen e da segurança regional.

A diplomata condenou os ataques de hoje dos Huthis contra a Arábia Saudita como ações "imprudentes" que ameaçam a segurança regional e minam os esforços para garantir a paz no Iémen. 

Expressou ainda profunda preocupação com as notícias de que duas aeronaves iranianas pousaram no Iémen sem permissão ou autorização das autoridades competentes - uma violação da soberania do Iémen e do direito internacional.

"Se confirmadas, suscitariam sérias preocupações as informações de que os voos podem ter transportado pessoal militar, especialistas técnicos e equipamentos para apoiar as capacidades militares dos Huthis", disse Kate Foster, que alertou ainda para possíveis violações de resoluções do Conselho de Segurança.

Os Huthis, apoiados pelo Irão, controlam Sana e grande parte do norte do Iémen, enquanto o Governo internacionalmente reconhecido está instalado sobretudo no sul do país e conta com o apoio de Riade.

O Irão nega repetidamente que esteja a armar os Huthis, apesar das conclusões reiteradas de peritos da ONU e de governos ocidentais que associam Teerão a envios de armas e apoio militar ao grupo xiita.

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