Países árabes criticam enviado dos EUA sobre direito de Israel a ocupar terras
Cerca de 15 países e organizações árabes e muçulmanos criticaram o embaixador dos Estados Unidos (EUA) em Israel, que afirmou que Israel tem direito a um território que abrange grande parte do Médio Oriente.
Estes países, incluindo os Estados do Golfo, o Egito, a Turquia e a Indonésia, bem como organizações como a Liga Árabe, "expressam a sua forte condenação e profunda preocupação" no que respeita às declarações de Mike Huckabee.
Numa declaração conjunta emitida, nomeadamente, pelo Qatar e pelos Emirados Árabes Unidos, os signatários reafirmaram a "rejeição categórica de tais afirmações perigosas e inflamatórias".
Num episódio do `podcast` de Tucker Carlson, divulgado na sexta-feira, Huckabee defendeu que, segundo a tradição bíblica, Israel tem direito a terras que incluem grande parte do Médio Oriente.
O comentador conservador norte-americano questionou o embaixador sobre a sua interpretação de um versículo do Génesis que afirma que Israel tem direito à terra "entre o Nilo e o Eufrates", estendendo-se, portanto, do Egipto ao Iraque e à Síria.
"Penso que está correto. E isso abrangeria basicamente todo o Médio Oriente", disse Huckabee. "Seria bom se tomassem tudo", acrescentou o antigo pastor baptista e fervoroso defensor de Israel.
As declarações de Huckabee, nomeado pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, em 2025, surgem após Israel ter recentemente implementado um conjunto de medidas destinadas a aumentar o controlo sobre a Cisjordânia ocupada.
A declaração conjunta descreveu os comentários do diplomata norte-americano "constituem uma séria ameaça à segurança e estabilidade da região".
Alguns países já tinham condenado as declarações de Huckabee, como a Arábia Saudita, a Jordânia e o Egipto, que insistiam que Israel "não tem soberania sobre os territórios palestinianos ocupados, nem sobre qualquer outra terra árabe".
A Autoridade Palestiniana, sediada na Cisjordânia ocupada, declarou na rede social X que as declarações de Huckabee "contradizem a rejeição do presidente dos EUA, Donald Trump, ao plano de Israel de anexar a Cisjordânia".
Israel está a intensificar o controlo sobre a Cisjordânia, um território palestiniano ocupado desde 1967, incluindo as áreas sob o controlo da Autoridade Palestiniana.
Um alto funcionário da ONU afirmou na quarta-feira que as medidas tomadas por Israel equivalem a uma "anexação gradual de facto" de Jerusalém Oriental e de parte das Colinas de Golã sírias.
Mais de 500 mil israelitas vivem na Cisjordânia, em colonatos que a ONU considera ilegais.
Perante as críticas, o embaixador dos EUA publicou duas mensagens na rede social Facebook, no sábado, para esclarecer a sua posição sobre outros temas discutidos durante a entrevista com Carlson, incluindo a definição de sionismo.
No entanto, não se retratou das declarações sobre o controlo dos territórios no Médio Oriente por Israel.