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Portugal chama embaixador israelita. Vários países condenam ataque a flotilha

Portugal chama embaixador israelita. Vários países condenam ataque a flotilha

O ministro português dos Negócios Estrangeiros chamou o embaixador israelita para explicar a detenção de ativistas pró-palestinianos, após Israel ter intercetado uma flotilha humanitária com três portugueses a bordo. Vários países, incluindo Espanha e Brasil, condenaram conjuntamente os ataques à Flotilha `Global Sumud` e a detenção "ilegal" dos ativistas humanitários em águas internacionais, exigindo que sejam libertados imediatamente.

RTP /
Nacho Doce - Reuters

O ministro dos Negócios Estrangeiros assegurou a proteção consular e fez saber que chamou o embaixador de Israel em Lisboa para pedir explicações.

"Nós temos as nossas autoridades consulares em Telavive e em Atenas a fazerem todas as diligências para darem a proteção consular a estes ativistas que terão sido detidos, e eventualmente a outros que possam vir a ter problemas com Israel", disse Paulo Rangel, citado pela Lusa.

O ministro salientou que, como a flotilha foi detida em águas internacionais, o representante da diplomacia israelita em Lisboa foi chamado para dar explicações ao Governo português, à semelhança do que aconteceu noutros países europeus.

"Como houve esta operação em águas internacionais, dei instruções e já foi chamado o embaixador de Israel para dar explicações junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros"
, afirmou Rangel, acrescentando que "toda a proteção diplomática está ativada, aliás já tinha sido ativada preventivamente, mas está neste momento ativada nas duas capitais [Telavive e Atenas], onde ela pode ter efeitos favoráveis aos nossos cidadãos".

Estavam pelo menos três portugueses na flotilha, avançou o Governo português.

"Portugal está neste momento a desenvolver todos os esforços de proteção consular para todos os portugueses que estejam envolvidos como ativistas nesta flotilha e, portanto, que tenham sido objeto de detenção ou possam vir a ser", disse o governante, não deixando de frisar que nenhum dos ativistas avisou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da iniciativa.

"Nenhum português até ontem [quarta-feira] tinha dito que estava na flotilha, embora Portugal tivesse feito ontem mesmo uma diligência preventiva junto do Governo de Israel para dizer que se houvesse portugueses na flotilha, coisa que nós não tínhamos confirmação se existia, mas achávamos que poderia existir dado o número de participantes, que era importante que eles pudessem ser tratados com toda a dignidade, caso os procedimentos anteriores se repetissem", vincou.

Tanto o consulado português como a embaixada em Telavive "ativaram diretamente a proteção diplomática e consular destes cidadãos que se esperava que chegassem a Israel eventualmente no sábado, uma vez que tinham sido recolhidos em águas internacionais ilegalmente por um barco israelita”.
Vários países condenam ataque a flotilha e pedem libertação de ativistas
Espanha, Brasil e mais 9 países condenaram veementemente os ataques de Israel à Flotilha `Global Sumud` e a detenção "ilegal" dos ativistas humanitários em águas internacionais.

Esta posição foi assumida num comunicado conjunto, divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha, pelo ministro José Manuel Albares e pelos seus homólogos da Turquia, Brasil, Jordânia, Paquistão, Malásia, Bangladesh, Colômbia, Maldivas, África do Sul e Líbia.

Os ataques israelitas contra os navios e a detenção ilegal de 175 ativistas em águas internacionais "constituem violações flagrantes do direito internacional e do direito internacional humanitário", concluem.

Os onze países salientam que a Flotilha `Global Sumud` é uma iniciativa civil pacífica e humanitária destinada a chamar a atenção da comunidade internacional para a catástrofe humanitária em Gaza.

Além disso, estes países expressam profunda preocupação com a segurança dos ativistas civis e instam as autoridades israelitas a adotarem as medidas necessárias para garantir a sua libertação imediata.

Os ministros também apelam à comunidade internacional para que "cumpra as suas obrigações morais e legais de defender o direito internacional, proteger os civis e garantir a responsabilização por estas violações".
Washington condena "flotilha de Gaza" e ameaça com retaliação
Os Estados Unidos, por outro lado, condenaram veementemente a "flotilha de Gaza" intercetada pelas forças armadas israelitas na costa de Creta, classificando-a como uma iniciativa orquestrada pelo Hamas e ameaçando com retaliação aqueles que a apoiam.

"Os Estados Unidos condenam a flotilha, uma iniciativa pró-Hamas que constitui uma tentativa infundada e contraproducente de minar o plano de paz do presidente Trump" para a Faixa de Gaza, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, em comunicado.

O porta-voz indicou que os Estados Unidos "esperam que todos os seus aliados (...) tomem medidas decisivas contra essa manobra política mesquinha, negando acesso a portos, atracação, partida e reabastecimento aos navios participantes da flotilha".

Washington reiterou a disposição de "usar todos os meios disponíveis" para processar "aqueles que apoiam esta flotilha pró-Hamas".

Os ativistas da Flotilha ‘Global Sumud’, que pretendiam chegar a Gaza e foram detidos ao largo de Creta pelo exército israelita, serão conduzidos para a Grécia e não para Israel.

As autoridades tinham inicialmente indicado que os 175 ativistas detidos (211 segundo os organizadores da iniciativa), a bordo de cerca de duas dezenas de embarcações que navegavam em águas internacionais e muito afastadas das costas israelitas, estavam a caminho de Israel.


C/agências
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