Portugal "totalmente a favor" de criação de missão da UE no Líbano
O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que Portugal está "totalmente a favor" da criação de uma missão da União Europeia no Líbano, considerando que é "fundamental estabilizar" a situação no país.
"Nós somos totalmente a favor. Sabemos que a Espanha, a França e a Itália são países que tinham adiantado esta necessidade de continuar uma missão do tipo da missão UNIFIL e Portugal com certeza que estará muito favorável a essa missão", afirmou Paulo Rangel, em declarações à agência Lusa após um encontro com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, em Dublin.
A criação de uma missão da União Europeia (UE) no Líbano está hoje a ser discutida pelos ministros da Defesa do bloco, numa reunião informal no condado de Wicklow, na Irlanda, com o intuito de substituir a missão de manutenção da paz da ONU no país, a FINUL, cujo mandato expira no final do ano.
À Lusa, Paulo Rangel defendeu que é fundamental "estabilizar a situação no Líbano" e considerou que o "Governo do Líbano atual precisa muito desse apoio".
"Portanto, nós estaremos inteiramente a favor da criação dessa missão. Depois, se faremos parte dela ou não, ou em que termos é que poderemos cooperar com ela, isso é algo que se terá de ver a nível do Governo e, desde logo, com o Ministério da Defesa", indicou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou prematuro falar já dos moldes de uma eventual participação portuguesa nessa missão, referindo que a missão ainda não foi sequer constituída.
"Agora, independentemente da nossa participação, terá o nosso apoio político total. Isso sem dúvida", reforçou.
Hoje de manhã, à chegada à reunião dos ministros da Defesa em Wicklow, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, especificou que esta missão teria como intuito "apoiar as Forças Armadas libanesas", tendo em conta a situação no país.
Por sua vez, a ministra dos Negócios Estrangeiros da Irlanda, país que detém atualmente a presidência rotativa do Conselho da UE, lamentou que o mandato da FINUL esteja prestes a expirar.
"Temos de garantir que uma nova missão é criada e, nesse sentido, a Irlanda, a Espanha e a Áustria apresentaram uma proposta para uma nova missão ao abrigo da Política Comum de Segurança e Defesa", indicou Helen McEntee.
A chefe da diplomacia da Irlanda referiu que, na reunião de hoje, um responsável das Nações Unidas vai informar os ministros sobre a situação no terreno e os governantes vão discutir como é que podem continuar a contribuir para a "paz e estabilidade no terreno no Líbano e no conjunto da região".
Outro dos assuntos que está hoje a ser discutido pelos ministros da Defesa da UE é o reforço do apoio à defesa aérea da Ucrânia, após a intensificação dos ataques russos nas últimas semanas.
Questionado sobre que tipo de apoio é que Portugal pode dar à Ucrânia nesse domínio, Paulo Rangel remeteu a questão para o Ministério da Defesa e para as Forças Armadas, mas adiantou que, esta quarta-feira, à margem da reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE na Irlanda, vai reunir-se bilateralmente com o chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sybiha.
"Teremos possibilidade de abordar essa matéria e de ver em que medida é que o nosso esforço - que tem sido muito grande, no plano militar e da Defesa, mas também no plano financeiro - poderá cooperar nessa missão ou não", referiu.