Preços do petróleo disparam após ataques a oleoduto da Arábia Saudita

Preços do petróleo disparam após ataques a oleoduto da Arábia Saudita

O Brent, referência para a Europa, continua acima dos 100 dólares. Na manhã desta segunda-feira, o barril estava a ser negociado a 108 dólares, uma subida de 3,2%.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Reuters

Os preços do petróleo aumentaram mais de 3% esta segunda-feira após os ataques dos Houthis contra a Arábia Saudita, no fim de semana, que obrigaram ao encerramento do oleoduto leste-oeste - uma das infraestruturas mais importantes da Arábia Saudita para a exportação de petróleo através do Mar Vermelho.

O petróleo Brent, referência internacional para os preços do petróleo, subiu para 108,03 dólares por barril esta segunda-feira – um aumento de 3,25%. Na quarta-feira, tinha ultrapassado a barreira dos 100 dólares pela primeira vez desde julho e registado uma valorização de quase 9% na semana anterior.

Os Houthis, apoiados pelo Iémen, lançaram vários ataques contra a Arábia Saudita no fim de semana e capturaram a ilha estratégica de Perim, no estreito de Bab al-Mandab.

Os ataques danificaram a conduta de petróleo, obrigando ao seu encerramento. Riade ainda não deu pormenores sobre a extensão dos estragos mas teme-se que se houver interrupções nesta conduta, 4% da oferta mundial de petróleo possa ser afetada.

Comerciantes do Reino alertaram que as reservas de petróleo para exportação vão esgotar se o oleoduto leste-oeste não for reaberto em poucos dias.

Os Houthis anunciaram uma "operação militar em larga escala" contra a Arábia Saudita, em Khamis Mushait, utilizando dezenas de mísseis balísticos e drones. O porta-voz militar dos Houthis afirma que a operação é em resposta aos mais de 300 ataques aéreos sauditas nos últimos dias e prometeu que o grupo "continuará as operações em território saudita enquanto a agressão persistir".
Reunião adiada
Perante esta recente escalada, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Omã, Sayyid Badr Albusaidi, anunciou o adiamento de uma reunião prevista para esta segunda-feira entre o Irão e os países do Golfo sobre o futuro do Estreito de Ormuz, via marítima estratégica bloqueada por Washington e Teerão.

As autoridades iranianas tinham declarado que iriam participar no encontro com Estados árabes do Golfo para apresentar um acordo com o Omã sobre a gestão das rotas de navegação no estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo antes da guerra.

Em entrevista ao jornal Al-Arabi Al-Jadeed, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, afirmou que, independentemente de qualquer acordo com o Omã, o Irão não reabriria o estreito até que os Estados Unidos atendessem às exigências de Teerão.

c/ agências
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