Houthis do Iémen confirmam ataque contra aeroporto de Riade
O porta-voz militar dos Houthis afirmou hoje que os rebeldes do Iémen atingiram o aeroporto de Riade com um míssil balístico, e pediu "uma última vez" às companhias aéreas que evitem a Arábia Saudita.
"As nossas forças armadas visaram o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, com um míssil balístico que atingiu o alvo com precisão e interrompeu o funcionamento do aeroporto", informou Yahya Saree, na rede social X.
É a terceira vez esta semana, desde segunda-feira, que os Houthis, apoiados pelo Irão, reivindicam um ataque contra o aeroporto.
"Reiteramos, pela última vez, o nosso apelo e o nosso alerta a todas as companhias aéreas internacionais para que deixem de utilizar o espaço aéreo saudita", salientou Saree.
Na quarta-feira, a Arábia Saudita anunciou que três civis morreram em ataques contra os seus aeroportos pelos Huthis, enquanto as hostilidades no Iémen se agravam.
Os rebeldes já tinham anteriormente reivindicado disparos de mísseis e drones contra o aeroporto internacional de Riade e o de Abha, no sudoeste do reino.
Segundo a Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita, nos ataques morreram cidadãos do Egito, da Argélia e do Sudão, e outras 36 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave.
Por seu lado, a coligação militar liderada pelos sauditas reivindicou em comunicado ter "destruído a plataforma de lançamento de mísseis balísticos" utilizada para realizar o ataque contra o aeroporto de Riade.
O tráfego aéreo no local tem vindo a sofrer interrupções frequentes há vários dias, segundo o site de monitorização Flightradar24, enquanto os Huthis avisaram as companhias aéreas de que o espaço aéreo saudita "não é seguro".
O conflito entre os rebeldes, que há mais de uma década controlam a capital iemenita, Sana, e vastas áreas do país, e o governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pela Arábia Saudita reacendeu-se em julho, após anos de relativa calma, tornando-se uma nova frente de guerra no Médio Oriente.
Desde então, 201.217 pessoas "foram forçadas a abandonar as suas casas", segundo a Organização Internacional para as Migrações, que alerta para a falta de recursos financeiros necessários para enfrentar a nova crise humanitária no país mais pobre da Península Arábica.
Em setembro, uma ofensiva-relâmpago dos Houthis permitiu-lhes assumir o controlo de toda a costa iemenita virada para o Mar Vermelho e reforçar o domínio sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Ásia à Europa através do Canal do Suez.
As forças governamentais, apoiadas por aviões de combate sauditas, lançaram uma contraofensiva no passado fim de semana, reivindicando "vitórias em várias frentes".
No entanto, os Houthis contestam estes avanços, e fontes militares de ambos os lados ouvidas pela agência de notícias France-Presse não relataram alterações significativas no terreno.