Responsável iraniano não vai participar em reunião anual de vigilância nuclear da ONU

Responsável iraniano não vai participar em reunião anual de vigilância nuclear da ONU

O chefe da Organização de Energia Atómica do Irão não deverá participar, pela primeira vez em anos, na reunião anual dos países membros do órgão de vigilância nuclear da ONU em Viena por estar proibido de viajar internacionalmente, reportou a AP.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Mohammad Eslami, chefe da Organização de Energia Atómica do Irão | Foto: Majid Asgaripour - WANA via REUTERS

A Áustria solicitou uma isenção da proibição de viajar de Eslami junto do comité de sanções da ONU, mas esta não foi concedida, disse um responsável não identificado à agência de notícias.

Como país anfitrião das Nações Unidas em Viena, a Áustria pode solicitar isenções a proibições de viajar para permitir que responsáveis sancionados participem em conferências internacionais na ONU.

Desde que Israel e os Estados Unidos atacaram as instalações nucleares do Irão em junho de 2025, o Irão não deu acesso aos inspetores da AIEA às instalações nucleares afetadas pelos ataques, embora Teerão esteja legalmente obrigado a cooperar com o órgão de vigilância ao abrigo do Tratado de Não Proliferação Nuclear.

A AIEA também não conseguiu verificar o estado de um stock de urânio quase de grau militar desde o bombardeamento de junho. Segundo a AIEA, o Irão mantém uma reserva de 440,9 quilogramas de urânio enriquecido até 60% de pureza, a um passo curto e técnico dos níveis de grau militar de 90%.

O Irão afirma que não está a procurar armas nucleares e que o seu programa é inteiramente pacífico.

No ano passado, a França, o Reino Unido, e a Alemanha acionaram o chamado mecanismo `snapback`, que reimpôs automaticamente todas as sanções das Nações Unidas ao Irão devido ao seu programa nuclear.

Os três países europeus afirmaram que o Irão se afastou deliberadamente do acordo nuclear de 2015 que tinha levantado as medidas.

As sanções da ONU reinstauradas incluem uma proibição de viajar, um embargo de armas convencionais, restrições ao desenvolvimento de mísseis balísticos, congelamento de bens e a proibição de produzir tecnologia relacionada com a energia nuclear.

Apesar de o responsável ter dito que não se esperava a presença de Eslami na conferência, a agência de notícias estatal do Irão, IRNA, informou no sábado que Eslami deixou Teerão rumo a Viena para participar na conferência da AIEA e reunir-se com representantes de vários países.

Eslami tem comparecido e discursado regularmente na Conferência Geral da AIEA em Viena desde que foi nomeado chefe da Organização de Energia Atómica do Irão em 2021.

Altos responsáveis dos Estados-Membros da Agência Internacional de Energia Atómica deverão reunir-se de segunda a sexta-feira para a Conferência Geral na sede do órgão de vigilância nuclear da ONU, em Viena, onde irão analisar e aprovar o orçamento da agência e debater outras questões políticas, incluindo salvaguardas nucleares no Médio Oriente.

Os Estados Unidos e o Irão retomaram os combates, de forma intermitente, após o colapso de um cessar-fogo frágil em julho.

Segundo as autoridades de Omã, uma reunião prevista para hoje entre o Irão e os países do Golfo sobre o futuro do estreito de Ormuz, rota marítima estratégica há meses bloqueada devido à guerra entre Washington e Teerão, foi adiada para outra data por definir.

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