Síria endurece o tom e acusa Israel de "violação flagrante" da sua soberania

Síria endurece o tom e acusa Israel de "violação flagrante" da sua soberania

Um ataque israelita com drone este sábado, no sul da Síria, dias depois do bombardeamento de uma base militar no noroeste, levou Damasco a endurecer as críticas contra Israel e a falar em "padrão" na estratégia ofensiva israelita.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Carro armado de Israel junto à linha de cessar-fogo nos Montes Golã, a 20 de agosto de 2026 Foto: Ayal Margolin - Reuters

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio denunciou o ataque com drone, o qual "constitui uma violação flagrante da soberania da Síria", "bem como uma clara violação do direito internacional".

"Faz parte de um padrão de repetidos ataques israelitas contra o território sírio", acusou. A televisão estatal síria publicou este sábado uma fotografia de um camião danificado, na aldeia de Beit Jinn, referindo que uma pessoa ficou ferida por um drone israelita que atingiu um veículo perto dos Montes Golã  - território disputado entre os países vizinhos, anexado por Israel e amplamente ocupado desde 1967.

O exército israelita explicou que as suas forças dispararam sobre um indivíduo no sul da Síria "que estava a preparar ataques terroristas na sua fase final". Não identificou o suspeito nem especificou se pertencia a algum grupo.

As atividades deste indivíduo "constituíam uma ameaça imediata" para os soldados israelitas, justificou.

As recentes operações israelitas arriscam agravar uma velha frente de conflito, atualmente dormente, entre Damasco e Jerusalém, com o eventual envolvimento da Turquia, agravando a tensão que já se vive no Médio Oriente.

O ataque de terça-feira à base aérea de Abu Dhuhr na Síria, foi especialmente criticado pelo enviado especial dos EUA para a Síria, que é também embaixador na Turquia, Tom Barrack.

Barrack acusou Israel de "escalada desnecessária".

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, reagiu sábado às considerações do embaixador norte-americano, afirmando na rede X que estão "repletas de imprecisões e posições que contradizem a linha do presidente dos EUA, Donald Trump".

Israel forneceu "informações de inteligência a partes autorizadas nos Estados Unidos" antes do ataque, acrescentou.
Envolvimento da Turquia

Ao reconhecer implicitamente o ataque à base Abu Dhuhr, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusou Istambul de procurar estabelecer uma presença militar na região, ao abrigo das boas relações que mantém atualmente com Damasco.

Um desenvolvimento que Netanyahu quer evitar a todo o custo, pela potencial ameaça contra Israel. O xadrez político na região foi significativamente alterado com a queda do presidente sírio Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, deposto por uma coligação islamita após mais de uma década de conflito.

Nem o apoio norte-americano ao novo governo sírio do Presidente e chefe do executivo provisório, Ahmed al-Sharaa, evitou que Jerusalém continuasse a provar a sua força, através de sucessivas intervenções musculadas.

As operações israelitas na Síria têm extravasado consistentemente o domínio dos Montes Golã, cuja anexação pelo Estado judaico foi reconhecida pelos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Donald Trump, em 2019.

Israel mobilizou inclusivé tropas na zona tampão monitorizada pela ONU que separa as forças israelitas e sírias nos Montes Golã. O Chefe do Estado-Maior israelita, General Eyal Zamir, sublinhou, na passada quarta-feira, que o exército estava a "monitorizar os destacamentos na frente síria" e não permitiria que "forças hostis se estabelecessem" nas fronteiras de Israel.

O recente agravamento da tensão entre Israel e a Síria e Turquia, pode servir ainda um outro objetivo, interno. 

Numa entrevista com o influenciador Mario Nawfal, transmitida sexta-feira, este sugeriu ainda que o ataque à base pode ter sido uma tentativa de provocar um conflito com a Turquia, no âmbito de uma estratégia eleitoral do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta uma situação difícil nas eleições israelitas de 27 de Outubro.

c/agências
PUB