Teerão ataca bases dos Estados Unidos no Golfo Pérsico

Teerão ataca bases dos Estados Unidos no Golfo Pérsico

O Irão atacou hoje instalações norte‑americanas de radares e defesa antiaérea em vários países do Golfo, advertindo Washington para "ataques ainda mais poderosos", num conflito que ameaça alargar‑se com o envolvimento dos rebeldes houthis do Iémen.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Por seu lado, o exército dos Estados Unidos anunciou ter concluído a décima noite consecutiva de bombardeamentos contra a República Islâmica, atingindo centros de comando militar e alvos marítimos~, com o objetivo de "reduzir a capacidade do Irão de continuar a atacar navios comerciais que transitam no Estreito de Ormuz".

Os Guardas da Revolução afirmaram ter interceptado dois petroleiros na via marítima estratégica, ao largo de Omã, reclamando a autoria de "explosões que provocaram incêndios significativos a bordo".

A agência britânica de segurança marítima UKMTO tinha relatado anteriormente que um navio tinha sido atingido por um "projétil não identificado" a cerca de 15 quilómetros a nordeste de Limah, em Omã, acrescentando depois que a tripulação abandonou a embarcação.

O tráfego marítimo na região, no centro do confronto entre Washington e Teerão, corre o risco de sofrer ainda mais perturbações desde que os houthis anunciaram um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, ameaçando a capacidade do maior exportador mundial de crude de contornar o Estreito de Ormuz, bloqueado pelas forças iranianas.

Perante a ameaça dos houthis pró‑Teerão e a intensificação das hostilidades, os preços do petróleo atingiram na segunda‑feira o nível mais alto em mais de um mês, recuando hoje ligeiramente.

Pouco mais de um mês após a assinatura de um memorando de entendimento que deveria conduzir à paz no prazo de 60 dias, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irão pagaria "várias vezes" o preço por cada soldado norte‑americano morto no Médio Oriente, e Teerão declarou enfrentar "uma guerra total".

Desde fevereiro, 17 militares norte‑americanos morreram, incluindo três na Jordânia e no Iraque, os primeiros desde a retoma das hostilidades em 07 de julho. Quase 100 soldados dos EUA ficaram feridos desde essa data, a maioria ligeiramente, segundo o Pentágono.

Do lado iraniano, o último balanço oficial, divulgado na sexta‑feira, aponta para, pelo menos, 50 mortos e mais de 500 feridos desde a recente escalada dos combates.

As forças armadas iranianas especificaram hoje, entre as novas ofensivas nos estados do Golfo, ter atingido dois sistemas de defesa antiaérea e uma instalação de radar em postos avançados dos Estados Unidos no Bahrein, bem como dispositivos de mísseis defensivos e de receção radar e satélite no Kuwait.

Após esses ataques, "o inimigo deve preparar‑se para vagas de drones e ataques de mísseis ainda mais decisivos e poderosos", advertiram os Guardas da Revolução Islâmica em comunicado difundido pela agência oficial Irna.

O exército iraniano declarou por outro lado, através da televisão estatal, ter atingido com drones "três importantes bases" utilizadas pelos EUA no Kuwait – Arifjan, Al‑Udairi e Ahmad Al‑Jaber.

Apesar da escalada, o porta‑voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, assegurou que prosseguem esforços diplomáticos através de países mediadores. O ministro do Interior, Eskandar Momeni, encontra‑se no Paquistão para reuniões com o primeiro‑ministro Shehbaz Sharif e o chefe das forças armadas paquistanês, Asim Munir.

O Estreito de Ormuz, por onde transitava antes da guerra um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos, continua a ser ponto de fricção central no conflito. O memorando de entendimento previa a sua reabertura, mas Teerão voltou a bloqueá‑lo após a retoma das hostilidades, enquanto os EUA reimpuseram um bloqueio aos portos iranianos.

Entretanto, o Presidente libanês, Joseph Aoun, deve ser recebido hoje pelo homólogo norte‑americano Donald Trump. A Administração norte-americana pressiona Beirute para desarmar o Hezbollah pró‑Irão, envolvido na guerra e concentrado sobretudo em combater Israel.

Para Israel, o desarmamento do movimento é condição para retirar tropas do sul do Líbano, uma exigência de Teerão, que exige uma solução para o Líbano que respeite as fronteiras do país em qualquer futuro acordo de paz.

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