Teerão confirma reunião sobre Ormuz com países do Golfo na segunda-feira

Teerão confirma reunião sobre Ormuz com países do Golfo na segunda-feira

O Irão vai realizar conversações na segunda-feira com os países do Golfo em Omã sobre o estreito de Ormuz, bloqueado há mais de seis meses pelas forças iranianas, confirmou hoje a diplomacia de Teerão.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Mohammed Aty - Reuters

"Este encontro deverá promover um melhor entendimento entre os países da região e contribuir para o reforço da segurança regional comum", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão aos jornalistas.

Representantes do Iraque e de "outros Estados costeiros do Golfo" participam na reunião de segunda-feira, disse o porta-voz do Ministério iraniano, que não especificou quais dos restantes cinco Estados da organização (Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein, Qatar e Emirados Árabes Unidos) vão estar presentes.

Após o início da ofensiva dos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, contra a República Islâmica, as forças iranianas colocaram sob ameaça militar a navegação comercial no estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes da guerra.

Este bloqueio, que persiste há seis meses após o início das hostilidades, continua a pressionar os preços do petróleo, que esta semana voltaram a ultrapassar a marca simbólica dos 100 dólares por barril.

Irão e Omã, dois países separados pelo estreito, têm vindo a discutir a gestão futura desta passagem há várias semanas, incluindo rotas seguras para a navegação comercial e a eventual cobrança de portagens pela sua utilização, que era livre e desimpedida antes do início do conflito.

Os navios que transitam no estreito de Ormuz sem aval de Teerão são alvos frequentes de ataques militares, enquanto os Estados Unidos bombardeiam esporadicamente a costa iraniana para desafiar o controlo reclamado pela República Islâmica.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano referiu, que, "além de outras questões regionais, também serão discutidos os resultados das negociações entre Irão e Omã sobre o estabelecimento de rotas marítimas seguras no estreito de Ormuz".

Esmaeil Baghaei observou que a reunião representa "um importante passo em frente" para fomentar a confiança entre as potências regionais e manifestou a esperança de que "abra caminho para um maior entendimento" entre elas, "livre das intervenções destrutivas de atores externos à região".

Antes da confirmação de Teerão, o jornal Financial Times tinha noticiado a preparação de um encontro em Omã entre os chefes das diplomacias do Conselho de Cooperação do Golfo sobre o estreito de Ormuz.

De acordo o jornal britânico, Irão e Omã procuram o apoio dos países do Conselho do Golfo para o acordo e levar os Estados Unidos a suspender o bloqueio que entretanto aplicaram aos portos iranianos.

Por outro lado, ainda segundo o Financial Times, os países da região procuram garantir que qualquer entendimento seja temporário, de modo a permitir a entrada e saída de navios no estreito enquanto se negoceia o "futuro estatuto" da passagem marítima.

O destino do estreito de Ormuz ganhou uma nova urgência depois de os rebeldes Huthis do Iémen terem conquistado posições às forças governamentais no oeste do país, aproximando-se do estreito de Bab el-Mandeb e do mar Vermelho, que tem servido como rota alternativa à navegação comercial.

Os Huthis, aliados do Irão, afirmam que as operações militares no Iémen não procuram atingir o comércio no mar Vermelho, exceto no que respeita aos navios da Arábia Saudita, país aliado do Governo iemenita reconhecido internacionalmente.

Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, com mediação de países do Médio Oriente, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo e o levantamento do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.

No entanto, as partes voltaram aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses expirou.

A par do recomeço das hostilidades, os Estados Unidos anunciaram uma "guerra económica" que visa asfixiar o Irão, através de sanções a indivíduos e entidades que estabeleçam relações comerciais com a República Islâmica.

O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e tem reiterado que a ameaça militar no estreito de Ormuz só será levantada em troca do fim da guerra em todas as frentes e do fim do bloqueio norte-americano.

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