Teerão diz que ataques dos EUA a petroleiros iranianos são ameaça à segurança

Teerão diz que ataques dos EUA a petroleiros iranianos são ameaça à segurança

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão condenou hoje os ataques dos Estados Unidos a petroleiros iranianos, afirmando que representam não só uma "escalada perigosa", como uma ameaça à paz e à segurança regional e internacional.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"As ações agressivas dos Estados Unidos contra as embarcações comerciais iranianas não só aumentam os perigos associados às tensões na região, como também constituem uma clara ameaça à paz e à segurança regional e internacional", afirmou o ministério em comunicado.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros, dirigido por Abbas Araghhi, classificou ainda os ataques, o bloqueio marítimo e a guerra económica levados a cabo pelos Estados Unidos como "uma violação flagrante da Carta da ONU e do Direito Internacional".

Sublinhando o direito do Irão à autodefesa, confirmou que o seu país atacou bases e instalações militares norte-americanas na Jordânia e argumentou que esta continua a apoiar a ofensiva militar contra a República Islâmica.

"Também foram realizados ataques defensivos contra vários navios de guerra norte-americanos agressores", acrescentou o ministério.

A República Islâmica, adiantou, "não hesitará em exercer o seu direito inerente à autodefesa e responderá com firmeza e de forma apropriada a qualquer agressão militar do inimigo".

Nas últimas horas, tem-se assistido a um ressurgimento dos ataques no estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos reivindicaram a responsabilidade por ataques contra cinco petroleiros iranianos, aos quais Teerão respondeu com o lançamento de mísseis contra um hangar norte-americano na base militar de al-Azraq, na Jordânia, e contra dois contratorpedeiros norte-americanos, que, segundo o Irão, sofreram "danos consideráveis".

A Guarda Revolucionária anunciou ainda ter atacado oito petroleiros e uma dezena de outros alvos, depois de ter ameaçado atacar 10 alvos norte-americanos no Médio Oriente por cada ataque aéreo norte-americano contra o país.

"Se o inimigo atacar dois dos nossos alvos, atacaremos 20" dos deles, disse um porta-voz da Guarda Revolucionária, que sublinhou que, pela primeira vez na guerra, foram feitos "danos estratégicos aos Estados Unidos, afetando as suas relações económicas e de segurança".

A mesma fonte avisou que "se o inimigo quiser que isto termine, tem de cessar completamente a guerra e as suas ameaças, o exército israelita tem de retirar-se do Líbano, o bloqueio ao Iémen tem de ser levantado, 24 mil milhões de dólares [cerca de 20,6 mil milhões de euros] em ativos iranianos têm de ser desbloqueados e a interferência nas capacidades nucleares e de mísseis balísticos do Irão tem de acabar".

A Guarda Revolucionária também disse que uma nova "zona proibida" ao largo do estreito de Ormuz cobriria parte do golfo de Omã e além, acrescentando que as coordenadas exatas seriam anunciadas mais tarde.

"Começa aproximadamente na direção de Chabahar (sul do Irão), cobre parte do mar de Omã e outra parte do Mar Arábico (...) Se um navio entrar nesta zona sem coordenação prévia, estará sujeito a sanções", disse o porta-voz da Guarda, Hossein Mohebi, à televisão estatal, acrescentando que as sanções incluiriam a proibição de beneficiar de serviços relacionados com a navegação.

Antes de os ataques terem ressurgido, esta semana, já tinham estagnado as negociações mediadas pelo Paquistão para pôr fim à guerra iniciada a 28 de fevereiro com a ofensiva israelo-americana sobre o Irão.

Tópicos
PUB