Teerão revela que negociações com EUA prosseguem "sem interrupções"

Teerão revela que negociações com EUA prosseguem "sem interrupções"

O chefe da diplomacia do Irão afirmou que o país e os Estados Unidos mantêm negociações "sem interrupções" para pôr fim à guerra, através de intermediários como o Paquistão. Já o secretário de Estado norte-americano considera que um eventual acordo é extremamente difícil e que a pressão económica vai continuar até que Teerão deixe de atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Majid Asgaripour - West Asia News Agency via Reuters

"As nossas negociações com o lado americano, através de países mediadores como o Paquistão e o Catar, continuam sem interrupções", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, numa entrevista à emissora iraquiana Al-Akhbariya.

Araghchi, que evitou entrar em pormenores sobre as propostas norte-americanas, indicou que, uma vez cumpridas todas as cláusulas do pacto, o Irão está aberto a iniciar negociações sobre outros assuntos, sem os especificar.

"Na fase final das negociações, será possível debater qualquer questão ou problema levantado por qualquer das partes e chegar a um acordo definitivo", salientou o diplomata.

Em setembro, o Irão propôs o chamado "plano de sete dias" para a reabertura do Estreito de Ormuz.


A proposta exige o levantamento do bloqueio naval e das sanções ao petróleo iraniano, o fim da guerra em todas as frentes e a libertação de fundos iranianos congelados no exterior, entre outras medidas, como condição para a reabertura da passagem marítima.

"No sexto dia desse período, o Estreito de Ormuz deveria estar totalmente aberto. Os norte-americanos informaram-nos que concordam com estas condições, mas desejam acrescentar algumas cláusulas adicionais", apontou o chefe da diplomacia da República Islâmica.

Na terça-feira, o Irão garantiu que não permitirá a saída do país de qualquer quantidade de urânio enriquecido e reiterou que os EUA terão de cumprir as condições de Teerão para terminar a guerra.


"Nem sequer uma quantidade ínfima de materiais nucleares enriquecidos sairá do Irão. Constituem um importante ativo e uma riqueza nacional para o povo iraniano", afirmou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, citado pela televisão estatal.

O destino das reservas iranianas de urânio altamente enriquecido constitui um dos principais pontos de divergência nas negociações entre Teerão e Washington.Os Estados Unidos exigem que as reservas sejam retiradas do território iraniano, enquanto Teerão defende como única solução a diluição do urânio em território nacional.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou entretanto que Teerão não tem "nada de novo" a transmitir aos Estados Unidos e insistiu no cumprimento das condições apresentadas anteriormente pelo regime iraniano.

"Não temos nada de novo a dizer", declarou Ghalibaf, durante um encontro com o chefe do Exército paquistanês, marechal Asim Munir.

O Paquistão é um dos países envolvidos na mediação das negociações entre o Irão e os Estados Unidos para tentar terminar o conflito.Acordo é extremamente difícil O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou à imprensa norte-americana que alcançar um acordo de paz com o Irão é extremamente difícil e que a pressão económica vai continuar até que Teerão deixe de atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Os EUA estão em contacto com vários países sobre possíveis negociações com o Irão, mas insistem que qualquer acordo deve impedir Teerão de obter uma arma nuclear, afirmou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

“Vários países estão a ser envolvidos [nas negociações com o Irão]. Saudamos os esforços de mediação”, disse Rubio aos jornalistas, destacando, em particular, o papel de longa data do Catar.

“No caso do Catar, eles estão envolvidos nesta questão há muito tempo”, acrescentou. “Ao que sei, o marechal de campo Munir esteve ontem em Teerão.”

No entanto, Rubio salientou que, “no final do dia, qualquer decisão sobre o que será aceitável estará nas mãos do presidente” dos EUA.

“Os EUA não apoiarão nenhum acordo que crie um caminho para que o Irão obtenha uma arma nuclear. Enquanto o presidente Trump estiver em funções, não terão uma arma nuclear”, afirmou.

c/agências 
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