Trump propõe criação de base para cinco mil militares em Gaza

Trump propõe criação de base para cinco mil militares em Gaza

O plano de paz da administração de Donald Trump para Gaza inclui a construção de uma base militar para cinco mil pessoas no sul da Faixa de Gaza que irá servir de centro de operações para uma força multinacional de estabilização, segundo documentos divulgados esta quinta-feira pelo jornal britânico The Guardian.

RTP /
Fotografia de drone mostra a destruição da cidade de Gaza a 21 de outubro de 2025. Foto: Dawoud Abu Alkas - Reuters

A base, com cerca de 142 hectares, deverá servir como quartel-general da chamada International Stabilization Force (ISF), uma força militar multinacional aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para garantir as fronteiras, proteger civis e apoiar a reconstrução de Gaza. No entanto, não é conhecido o proprietário do terreno.

Esta força fará parte do Conselho da Paz, criado por Trump em janeiro, e deverá ser construída no sul de Gaza – território atualmente controlado por Israel –, com a ISF a ser composta por tropas dos Estados-membros do Conselho.

A base militar, segundo o jornal The Guardian, está “planeada para uma área plana e árida no sul de Gaza, coberta por arbustos de sal e giesta branca, e repleta de metal retorcido resultante de anos de bombardeamentos israelitas”. Um “pequeno grupo de licitantes”, composto por empresas de construção, segundo o jornal, já terá visitado o local.

De acordo com uma fonte próxima do processo, o documento de contratação da base foi “emitido pelo Conselho da Paz e preparado com a ajuda de funcionários de contratação dos Estados Unidos” e inclui a existência de bunkers de seis metros por quatro e 2,5 metros de altura.

O documento inclui um levantamento de túneis, que deverá referir-se às instalações subterrâneas do grupo Hamas. Prevê também a cessação das operações de construção “se forem descobertos restos humanos ou artefactos culturais”.

Até ao momento, cinco países já se comprometeram em enviar tropas ao abrigo desta força multinacional, segundo Major-General Jasper Jeffers. Esses países são a Indonésia – que se comprometeu a enviar oito mil soldados –, a Albânia, o Kosovo, o Cazaquistão e Marrocos, com o Egito e a Jordânia “comprometidos a treinar as forças policiais” que, no longo prazo, deverão chegar às 20 mil tropas e ao treino de 12 mil polícias no enclave.
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