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"Vamos atacá-los com extrema força". Trump não se compromete com calendário para fim da guerra

"Vamos atacá-los com extrema força". Trump não se compromete com calendário para fim da guerra

Embora mantenha entreaberta a porta da negociação, o presidente norte-americano ameaça fazer recuar os iranianos "à idade da Pedra, onde pertencem".

Cristina Sambado - RTP /
Alex Brandon - Pool via EPA

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou numa comunicação aos Estados Unidos e ao mundo, na noite de quarta-feira, que as Forças Armadas da superpotência quase alcançaram os seus objetivos no Irão. Mas não ofereceu um calendário claro para o fim da guerra, que perdura há um mês, e prometeu bombardear o país até que este regresse à "idade da pedra".

"Graças ao progresso que fizemos, posso afirmar esta noite que estamos no bom caminho para concluir todos os objetivos militares dos Estados Unidos em breve, muito em breve, vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas", afirmou o presidente norte-americano.
O presidente norte-americano e os conselheiros têm oferecido explicações e cronogramas contraditórios para o conflito e, no discurso, Trump não mencionou a possibilidade de um cessar-fogo.

"Entretanto, as negociações continuam. A mudança do regime não era o nosso objetivo, nunca falámos em mudanças de regime, mas deu-se uma mudança de regime, graças à morte de todos os seus líderes originais. Estão todos mortos. O novo grupo é menos radical e muito mais razoável", acrescentou.
“Somos uma força militar imparável”
O inquilino da Casa Branca acrescentou que os Estados Unidos destruíram a marinha e a Força Aérea de Teerão e estagnaram os programas de mísseis balísticos e nucleares, avisando ainda que se não existir acordo, os EUA vão atacar mais infraestruturas energéticas iranianas.

"Porém, se durante esse período não dor assinado nenhum acordo, estamos de olho em alvos-chave. Se não houver acordo, vamos atacar cada uma das suas centrais elétricas de produção de energia, com muita força e provavelmente em simultâneo", ameaçou.

"Não atacaremos o petróleo deles, embora esse seja o alvo mais fácil de todos. Porque isso não lhes daria a mais pequena hipótese de sobrevivência ou reconstrução. Mas poderíamos atingi-lo e seria o seu fim. E não há nada que eles possam fazer quanto a isso".
Segundo Trump, o Irão "não tem equipamento aéreo. O radar deles foi 100 por cento destruído. Somos uma força militar imparável".
“Temos todas as cartas”
Porém, Donald Trump recusou-se a apresentar um plano concreto para pôr fim à guerra, que já dura há cinco semanas, além de dizer que os EUA terminariam o trabalho "demasiado depressa".

"Temos todas as cartas na manga", disse Trump na Casa Branca, no seu primeiro pronunciamento em horário nobre desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra, a 28 de fevereiro. "Eles não têm nenhuma."

No pronunciamento, o presidente norte-americano deixou de fora de algumas questões importantes ainda não resolvidas, como o estatuto do urânio enriquecido do Irão e o acesso ao Estreito de Ormuz, uma via de acesso ao petróleo mundial que o Irão efetivamente fechou.

Trump manifestou-se também convicto de que, assim que a guerra contra o Irão terminar, o Estreito de Ormuz "abrir-se-á naturalmente", porque a República Islâmica precisa da venda de petróleo para se reconstruir e, por isso, os preços do petróleo irão baixar e as bolsas voltarão a registar ganhos.
Aumentos nos EUA são culpa do Irão

Ainda que o presidente tenha reconhecido brevemente a crescente preocupação, entre os norte-americanos, de que a guerra esteja a tornar a gasolina inacessível, insistiu que os preços iriam cair em breve e que os aumentos eram principalmente culpa do Irão.

"Somos agora totalmente independentes do Médio Oriente, e, contudo, estamos lá para ajudar. Não precisamos de lá estar. Não precisamos do petróleo deles. Não precisamos de nada que eles têm. Mas estamos lá para ajudar os os nossos aliados", frisou Donald Trump.
O inquilino da Casa Branca deixou ainda a garantia de que a economia dos Estados Unidos está muito bem preparada para enfrentar a ameaça iraniana.

"Muitos americanos ficaram preocupados com o recente aumento dos preços de gasolina aqui nos Estados Unidos. Este aumento a curto prazo foi inteiramente fruto dos ataques terroristas insanos lançados pelo regime iraniano contra petroleiros internacionais e os países vizinhos, que nada têm a ver com o conflito".

"Isto é mais uma prova de que o Irão nunca poderá ser fiável com as armas nucleares. Vão utilizá-las e utilizá-las rapidamente. Isto levaria a décadas de extorsão sofrimento económico e instabilidade piores do que podíamos imaginar. Os EUA nunca estiveram tão bem preparados economicamente para enfrentar essa ameaça. Vocês sabem disso", acrescentou.

Trump instou ainda os norte-americanos a "manter este conflito em perspetiva", referindo que as guerras anteriores no Iraque, no Vietname e na Coreia exigiram um envolvimento norte-americano muito mais longoEUA não abandonam países do Golfo
Trump prometeu ainda que não abandonará os países do Golfo, alvos dos ataques do Irão em retaliação pelos ataques israelitas e norte-americanos.

"Quero agradecer aos nossos aliados no Médio Oriente: Israel, Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. Têm sido extraordinários e não permitiremos que sofram qualquer dano ou fracasso", sublinhou o presidente norte-americano, dirigindo-se ao povo norte-americano da Casa Branca.

c/ agências 
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