Wall Street fecha em baixa clara afetada por Médio Oriente e novidades na IA
A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em nítida baixa, com os investidores inquietos com o prolongamento da situação no Médio Oriente causada pelos ataques israelo-norte-americanos ao Irão e os efeitos na inflação e economia internacional.
Os resultados da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average perdeu 1,72% e o alargado S&P500 recuou 1,67%, mas, tal como na véspera, foi o tecnológico Nasdaq que mais desvalorizou, no caso 2,15%.
Com a baixa de hoje, o Dow Jones entra na designada fase de correção, que se refere a uma baixa de pelo menos 10% em relação ao seu recorde, no que se junta ao Nasdaq. O S&P500 é, por enquanto o único destes índices emblemáticos de Wall Street, a manter-se fora desta fase, se bem que por pouco, uma vez que acumula perdas de nove por cento.
Depois de ter evoluído em função das declarações de Donald Trump, a praça bolsista demonstra sinais de impaciência, quando a guerra entra no segundo mês.
"As cotações do petróleo aproximam-se outra vez os 100 dólares para o barril do West Texas Intermediate", que é a principal variedade de crude dos EUA, "o que agrava os temores quanto ao impacto (da guerra), que pode ser mais significativa do que previsto no crescimento e na inflação", disse Angelo Kourkafas, analista da Edward Jones.
Nas transações posteriores ao fecho do mercado, o WTI superou mesmo aquele limiar simbólico.
Apesar de o momento ser de aversão ao risco, tal não se traduziu em ganhos para o mercado obrigacionista, porque os investidores estão receiam a aceleração da inflação e um endurecimento da política monetária do banco central dos EUA.
Aliás, o rendimento dos títulos da dívida federal a 10 anos, que evolui em sentido contrário ao preço, subiu dos 4,42% da véspera para 4,48%.
Esta subida prejudica em particular os ditos setores de crescimento, como a tecnologia, realçou Kourkafas. Os seus lucros futuros aparecem assim menos atrativos face a taxas de juro mais elevadas.
Isto mesmo foi evidenciado pelas fortes quedas dos principais conglomerados tecnológicos, como Amazon (-4,02%), Nvidia (-2,17%) ou Tesla (-2,76%).
O caso da Meta é específico, uma vez que a sua desvalorização de 4,02% incorpora os efeitos das suas condenações, na terça e quarta-feiras, em dois casos ligados às suas redes sociais, consideradas culpadas de colocar menores em perigo e de favorecer a depressão de uma adolescente.
Ainda no setor da tecnologia, várias empresas especialistas em cibersegurança foram castigadas após uma fuga de informação, na revista Fortune, sobre o novo modelo de inteligência artificial da Anthropic.
Este novo modelo possui capacidades novas de cibersegurança, que pode criar vulnerabilidades. Particularmente afetadas foram Crowdstrike (-5,87%), Palo Alto (-5,97%) e Fortinet (-3,49%).