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Soares diz que Sócrates terá que ter "flexibilidade e cintura política"

Soares diz que Sócrates terá que ter "flexibilidade e cintura política"

"Sócrates não terá a força que a maioria absoluta lhe deu na legislatura passada" pelo que deve negociar com todos os partidos, disse Mário Soares numa entrevista hoje publicada no jornal espanhol "El Pais". O antigo presidente afirmou ainda que as relações do primeiro-ministro com o Presidente da República não serão fáceis.

RTP /
O antigo Presidente da República, Mário Soares, acompanhado pelo secretário-geral do Partido Socialista, José Sócrates José Sena Goulão, Lusa

Começa por dizer que a esquerda em Portugal é incapaz de se pôr de acordo para "construir um Governo" mas que o faz para "impedir um Governo de direita". Nesta entrevista ao jornal espanhol, o antigo Presidente da República disse que uma vitória do PSD de Manuela Ferreira Leite nas eleições legislativas teria sido uma desgraça.

"No Parlamento, o Partido Socialista, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda não deixariam formar Governo".

Sem maioria absoluta, o primeiro-ministro hoje indigitado, José Sócrates, terá que ter "flexibilidade e cintura política" para formar Governo. Soares não acha necessário "uma aliança com ninguém" mas Sócrates terá que chegar a acordos pontuais.

"Aprendeu muito em quatro anos. Era um homem que não tinha uma grande cultura política, mas é enérgico, determinado e com coragem, três coisas importantíssimas em política", disse Soares.

De acordo com o antigo Presidente, o primeiro grande teste de José Sócrates será "a votação do Orçamento de Estado no Parlamento". E acrescenta: "A Oposição não se atreverá a provocar uma crise".

Assumindo algumas divergências políticas - "estou à esquerda de Sócrates" - Mário Soares disse ao El País que o primeiro-ministro o trata "com se fosse seu pai". Ficou desapontado com o apoio à reeleição de Durão Barroso na Comissão Europeia - "disse-lhe que foi um grande erro" - e prevê que as futuras relações com o Presidente da República Cavaco Silva não serão fáceis. Chegou mesmo a temer um conflito institucional após o ´caso das escutas`.

"Mas, ao contrário de Espanha, em Portugal raramente ocorrem tragédias, excepto as naturais. Aqui impera a comédia, quando não a farsa", afirmou.

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