Irão. Partidos curdos exilados no Iraque apoiam protestos com greve geral
Sete partidos curdos da oposição iraniana baseados no Iraque convocaram para quinta-feira uma greve geral curda no Irão, em apoio do movimento de protesto nas cidades iranianas, informou hoje um dos partidos exilados.
Hassan Rahmanpanah, dirigente do partido Komala, afirmou à AFP que a greve visa demonstrar "o apoio unificado do povo curdo à luta e às manifestações lideradas pelo povo iraniano contra a República Islâmica".
Grupo separatista curdo baseado no Iraque, o Komala é considerado por Teerão uma organização terrorista.
O Irão vive uma onda de protestos há 11 dias, mobilizações que começaram com a queda do rial iraniano em relação ao dólar.
Os manifestantes já pedem também o fim da República Islâmica e os protestos espalharam-se por 92 cidades de 27 das 31 províncias do país, com confrontos que já causaram a morte de dezenas pessoas, além de agentes da polícia, de acordo com dados da ONG da oposição HRANA, com sede nos Estados Unidos.
Pelo menos 2.076 manifestantes foram detidos até agora.
No oeste do Irão, a várias centenas de quilómetros de Teerão, foram relatados confrontos mortais nos últimos dias. É o caso de Malekshahi, um condado com cerca de 20 mil habitantes, onde vive uma importante população curda.
As autoridades iranianas não dão informações sobre o número de civis mortos nas maiores mobilizações contra a República Islâmica desde 2022, quando ocorreram protestos em massa após a morte de Mahsa Amini, detida por não usar corretamente o véu islâmico.
Pelo menos dois polícias morreram e outras 30 pessoas ficaram feridas hoje nos confrontos entre manifestantes, em protesto contra a situação económica no país, e as forças de segurança no centro do Irão, segundo meios oficiais.
Um grupo de comerciantes protestava contra a situação económica na cidade de Lordegan, numa manifestação na qual se infiltraram pessoas que começaram a atirar pedras contra a polícia, segundo a agência Fars.
"Entre os manifestantes havia pessoas armadas com vários tipos de armas de guerra e de caça, que, de repente, começaram a disparar contra as forças policiais", indicou a agência ligada à Guarda Revolucionária.
No tiroteio entre os "manifestantes" e a polícia, dois agentes morreram e outras 30 pessoas ficaram feridas, segundo a Fars, que não informou sobre identidade dos feridos.
A agência Mizan, do Poder Judiciário, publicou um relato semelhante ao da Fars sobre o ocorrido.
O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, pediu hoje às forças de segurança para evitarem confrontos com os participantes na atual onda de manifestações, classificando-os como vândalos, segundo a agência de notícias Mehr.
"Hoje, o sr. Pezeshkian ordenou que nenhuma medida de segurança seja tomada contra os manifestantes e aqueles que participam nos protestos", disse o vice-presidente executivo do Irão, Mohammad Jafar Ghaempanah, num vídeo, após a reunião do Conselho de Ministros da república islâmica.
Ghaempanah acrescentou que "aqueles que têm armas de fogo, facas e catanas, e que atacam esquadras de polícia e instalações militares, são vândalos, e é preciso fazer uma distinção entre manifestantes e vândalos".
O Irão considerou uma ameaça as declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sobre os protestos em curso, frisando que haverá resposta, segundo o chefe do exército iraniano.
"O Irão islâmico considera a escalada da retórica inimiga contra a nação iraniana como uma ameaça e não tolerará que isso continue sem resposta", afirmou o general Amir Hatami, citado pela agência Fars.
Trump ameaçou intervir militarmente no Irão se houvesse manifestantes mortos e Netanyahu apoiou a posição do líder norte-americano.