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A história louca da família Prevc, quatro irmãos que ganharam medalhas nos Jogos Olímpicos
Domen Prevc, da Eslovénia, tornou-se o quarto irmão a ganhar uma medalha olímpica na terça-feira, na prova de saltos de ski por equipas mistas.
Mais duas medalhas para a família Prevc: Domen e Nika, com as cores da Eslovénia, tornaram-se campeões olímpicos na prova mista de saltos de ski nos Jogos Olímpicos de Milão Cortina, na terça-feira, 10 de fevereiro.
Para Domen Prevc, foi uma estreia, que lhe permitiu seguir as pisadas dos dois irmãos mais velhos, Peter e Cene, que já ganharam medalhas olímpicas, e da irmã mais nova, Nika, que ganhou uma medalha de prata em pista normal no domingo.
"Não posso falhar à frente dela. Se não for bem sucedido, fico de rastos", brincou o saltador de ski de 26 anos, na véspera do seu triunfo olímpico, sob a pressão dos padrões familiares.
Na Eslovénia, e mais ainda na família Prevc, os saltos de ski são uma religião. O pai Bozidar é ele próprio juiz das eliminatórias da Taça do Mundo de Combinado Nórdico.
Quatro dos seus cinco filhos (três rapazes e duas raparigas) ficaram com o bichinho dos saltos de esqui.
Os quatro são atualmente medalhados olímpicos. Apenas a mais nova, Ema, nascida em 2009, não se deixou levar pelos saltos de ski.
Peter, Cene, Nika e agora Domen
Tudo começou com Peter, o mais velho, considerado um dos melhores saltadores da sua geração. Ganhou quase tudo: dois grandes globos de cristal, 24 vitórias na Taça do Mundo, o recorde de pontos numa só época (2.303 pontos com 22 subidas ao pódio, incluindo 15 vitórias). Mas, acima de tudo, quatro medalhas olímpicas.
Nascido em 1992, começou a coleção em 2014, em Sochi, com a prata em pista normal e o bronze em pista longa. Antigo recordista mundial (250 m), conquistou mais duas medalhas em 2022: ouro na competição por equipas mistas e prata com a equipa masculina e o seu irmão mais novo Cene.
O número 2 da família Prevc, Cene, não é o que acumula mais troféus na lareira da família. Tem "apenas" um pódio individual na Taça do Mundo, mas cinco em provas por equipas com a Eslovénia. A medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim, aos 25 anos, continua a ser o resultado mais significativo da sua carreira, que terminou há quatro anos.
Ausente há quatro anos, Domen, o filho do meio, já dava nas vistas no final de 2016 com a sua primeira competição na Taça do Mundo aos... 17 anos. Uma precocidade ainda maior do que a de Peter. No entanto, só depois de várias épocas complicadas é que chegou finalmente ao mais alto nível, em janeiro de 2025.
No espaço de um ano, obteve 14 vitórias na Taça do Mundo, estabeleceu o recorde mundial com um salto de 254,5 m (mais 4,5 m do que Peter) e tornou-se campeão do mundo no salto em comprimento e no voo de ski. Líder esmagador da Taça do Mundo com 1614 pontos (contra 989 do segundo classificado), esperava-se que fosse o favorito no salto de ski de Predazzo na terça-feira.
Domínio absoluto
Não foi por acaso que transportou a bandeira da Eslovénia ao lado da sua irmã Nika na cerimónia de abertura.
Nika, que nasceu em 2005, começou a desempenhar um papel de liderança ao mais alto nível em 2023, com a primeira vitória no Campeonato do Mundo. Desde então, ganhou mais 34, incluindo 13 este ano. Atualmente, é a bicampeã mundial, a detentora do globo de cristal na sua disciplina e a recordista mundial com um salto de 236 m.
No domingo, em pista normal, conquistou "apenas" a medalha de prata, o que lhe trouxe aos olhos lágrimas de desilusão.
A eslovena de 20 anos não é um talento qualquer. Quando um canal de televisão esloveno perguntou ao mais velho dos irmãos Prevc, Peter, quem era o mais competitivo da família, ele respondeu sem hesitar: "Nika". Não há dúvida de que só ficará satisfeita se conseguir a medalha de ouro em pista longa, no domingo.
Constance Vignaud / 10 fevereiro 2026 20:31 GMT
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP