AfD volta a acolher dois políticos excluídos por comentários pró-nazis

AfD volta a acolher dois políticos excluídos por comentários pró-nazis

Maximilian Krah e Matthias Helferich, do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que tinham sido excluídos por comentários de pendor nazi, foram readmitidos no grupo parlamentar após o desempenho histórico do partido nas eleições gerais.

Cristina Sambado - RTP /
Lisi Niesner - Reuters

Maximilian Krah, advogado de 48 anos, eleito com uma larga vantagem no círculo eleitoral de Chemnitz, na antiga República Democrática Alemã (RDA), foi banido dos órgãos diretivos do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) há um ano, depois de ter feito várias declarações.

Maximilian Krah demitiu-se da direção federal da AfD antes das eleições europeias de junho passado, depois de ter dito ao jornal La Repubblica que nem todos os membros das SS de Adolf Hitler tinham sido “automaticamente criminosos”.Maximilian Krah é também suspeito de ter aceite dinheiro de uma rede pró-russa, algo que o político nega formalmente. O Ministério Público de Dresden (leste) abriu um inquérito contra ele no verão passado.

A demissão de Krah seguiu-se à pressão exercida por outros partidos de extrema-direita, incluindo o Rassemblement National de Marine Le Pen, a Lega de Itália e o Partido Popular Dinamarquês.

A polémica gerada pelas suas declarações - bem como pela detenção de um dos seus conselheiros por suspeita de espionagem para a China - levou a que fosse suspenso da campanha eleitoral europeia pela direção do AfD.

Já Matthias Helferich foi eleito para o Parlamento alemão em 2021, mas renunciou ao lugar após ter declarado, numa conversa divulgada na internet, que era “a cara amiga dos nazis”.

Segundo a comunicação social alemã, Matthias Helferich tem ligações a círculos neonazis em Dortmund (oeste). A direção local da AfD tentou retirá-lo da sua lista de candidatos, mas sem sucesso.

As afirmações também levaram à expulsão da AfD do agora extinto grupo Identidade e Democracia no Parlamento Europeu, com Le Pen a dizer que era necessário criar “um cordão sanitário” entre a AfD e os outros partidos.A AfD, juntamente com partidos de extrema-direita de sete outros países da União Europeia, fundou um novo grupo parlamentar, a Europa das Nações Soberanas, no Parlamento Europeu.

“Reconheço que as minhas declarações verdadeiras e matizadas estão a ser mal utilizadas como pretexto para prejudicar o nosso partido” escreveu na altura, Krah na rede social X.

Krah e Helferich fazem agora parte do grupo parlamentar recém-eleito da AfD, após a reunião inaugural de terça-feira, na qual foi decidido incluir os dois deputados.


A decisão foi anunciada à margem da reunião no Bundestag. O novo grupo inclui também aliados de Björn Höcke, a figura de proa da ala mais extrema do partido, conhecida como Der Flügel. O antigo professor de História foi condenado por ter utilizado o slogan nazi proibido “Alles für Deutschland” (Tudo pela Alemanha) em discursos de campanha.Após a sua admissão, Krah e Helferich só podem ser afastados do grupo com uma maioria de dois terços.

Krah, que é popular entre os jovens eleitores do sexo masculino e obteve o maior número de votos no seu círculo eleitoral na Saxónia, está agora pronto para se sentar no parlamento ao lado dos colíderes Alice Weidel e Tino Chrupalla.

Os dois políticos agora reintegrados ficaram radiantes depois de o partido anti-islão e anti-imigração AfD ter mais do que duplicado o seu apoio eleitoral para mais de 20 por cento no domingo, tornando-se o segundo maior grupo no parlamento alemão, com 152 lugares.

A reintegração de Krah e Helferich levou a novos apelos para uma tentativa de banir o AfD, que foi debatido pela última vez no Parlamento no final de janeiro.

Helferich congratulou-se com a sua inclusão no grupo parlamentar e vai agora fazer um “trabalho patriótico-parlamentar” para a AfD no Bundestag. Como membro da comissão parlamentar da cultura, espera poder “responder à luta cultural da esquerda com uma política cultural de direita”.

Com 152 deputados num total de 630, o grupo parlamentar da AfD, que continuará a ser liderado por Alice Weidel e Tino Chrupalla, representa a segunda maior força no Bundestag, atrás dos conservadores da CDU/CSU, os vencedores das eleições de domingo.


“Somos duas vezes maiores e duas vezes mais eficazes”, declarou Alice Weidel na terça-feira, reiterando o objetivo do seu partido de “ultrapassar a CDU” até às próximas eleições.

c/ agências
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