Afeganistão. Taliban conquistam primeira capital provincial e matam porta-voz do Governo

Os taliban aumentaram o seu controlo sobre o Afeganistão ao terem conquistado a primeira capital provincial. Esta sexta-feira, o diretor do Centro de Comunicação do Governo afegão foi também assassinado, durante as orações em Cabul, num atentado reivindicado pelo grupo extremista islâmico.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Mais de metade dos 421 distritos e centros distritais do Afeganistão estão agora sob controlo dos taliban Omar Sobhani - Reuters

O Afeganistão vive uma guerra interna entre o grupo islâmico dos taliban e o exército. Esta sexta-feira, as hostilidades intensificaram-se com o assassinato do diretor de comunicação do Governo e com a conquista da primeira capital provincial por parte dos Taliban desde que os Estados Unidos chegaram a um acordo com o grupo islâmico, em fevereiro de 2020, para a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão.

Um porta-voz da polícia na província de Nimroz, a sul do Afeganistão, disse à agência Reuters que a capital Zaranj caiu nas mãos dos taliban por falta de reforços do Governo.
Para os taliban, este é um marco simbólico, à medida que continuam a sua luta para recuperar o poder no país.

“Este é apenas o começo, e outras províncias cairão nas nossas mãos muito em breve”, disse um comandante dos taliban à Reuters.

À medida que as tropas estrangeiras se retiram, os insurgentes avançam rapidamente no país, tendo conquistado já nos últimos meses dezenas de distritos e zonas fronteiriças. Para além de Zaranj, um importante centro comercial próximo da fronteira com o Irão, os taliban pressionam ainda outras capitais provinciais, incluindo Herat, Kandahar e Lashkar Gah.
Mais de metade dos 421 distritos e centros distritais do Afeganistão estão agora sob controlo dos taliban.
Embora muitos dos distritos estejam em regiões remotas, alguns são profundamente estratégicos, dando ao grupo extremista o controlo das passagens de fronteira com o Irão, o Tajiquistão e o Paquistão.
Porta-voz do Governo assassinado
Esta sexta-feira, Dawa Khan Menapal, diretor do Centro de Comunicação do Governo do Afeganistão, foi assassinado em Cabul durante as orações semanais.

Mujahid, porta-voz dos Taliban, divulgou posteriormente um comunicado a reivindicar o ataque em Cabul, afirmando que Menapal “foi morto num ataque especial” perpetrado pelos “mujahedeen”, traduzido como “guerreiros sagrados”.

"Infelizmente, os brutais e selvagens terroristas cometeram outro ato cobarde e mataram um afegão patriótico que resistiu à propaganda inimiga (...), Dawa Khan Menapal, durante as orações de sexta-feira" na capital, disse um porta-voz do Ministério numa mensagem divulgada na plataforma WhatsApp aos meios de comunicação social, citada pela agência France-Presse.

Este foi o último de uma série de assassinatos que têm como objetivo enfraquecer o Governo do presidente Ashraf Ghani. O ataque ocorreu dois dias após uma tentativa de homicídio do ministro de Defesa do Afeganistão. O ataque contra a casa do ministro, num bairro em Cabul, ocorreu num momento em que decorria uma reunião. Doze pessoas morreram e 20 ficaram feridas. O governante escapou ileso.

"Este ataque é o início de uma operação de vingança contra os tais importantes (...) funcionários da administração de Cabul, que dão ordens para bombardearem as casas dos civis, as infraestruturas públicas, que obrigam as pessoas a fugirem dos locais onde vivem e que cometem crimes nas províncias", disse na altura o porta-voz dos taliban.

O atentado foi seguido de um tiroteio na chamada zona verde, uma área fortemente protegida que abarca os edifícios governamentais e embaixadas. Foram registados seis mortos, incluindo os três atacantes taliban.

Esta sexta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas reúne-se para debater o crescente controlo dos taliban sobre o território do Afeganistão. A reunião vai decorrer a pedido do Governo afegão, com o apoio da Noruega e da Estónia.

c/agências
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