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Agência europeia para os Direitos Fundamentais alerta para "onda de antissemitismo" na Europa

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
A pesquisa abrangeu 13 países do bloco da UE onde vive 96% da população judaica europeia Johanna Geron - Reuters

A Europa está a viver uma "onda de antissemitismo", agravada pelo conflito no Médio Oriente. A conclusão é da Agência da União Europeia para os Direitos Fundamentais, que relata um aumento de 400 por cento nos ataques antissemitas desde outubro de 2023.

“A Europa está a testemunhar uma onda de antissemitismo, em parte impulsionada pelo conflito no Oriente Médio”, disse a diretora da agência europeia, Sirpa Rautio, citada pelo jornal britânico The Guardian, que teve acesso ao estudo.

A investigação salienta que a descriminação contra os judeus já era um problema alarmante na Europa mesmo antes de o conflito entre Israel e o Hamas ter eclodido, em outubro do ano passado.

Dos oito mil judeus com mais de 16 anos entrevistados pela agência entre janeiro e junho de 2023, 96 por cento admitiram ter sido vítima de antissemitismo pelo menos uma vez no ano anterior à pesquisa.

Um total de 84 por cento consideraram a discriminação contra judeus um problema “muito grande” ou “razoavelmente grande” no seu país. A pesquisa abrangeu 13 países do bloco da UE onde vive 96 por cento da população judaica europeia, incluindo França, Alemanha, Polónia e Espanha.

Este foi o terceiro estudo deste tipo realizado pela agência europeia dos Direitos Fundamentais desde 2013. No entanto, a agência diz ter encontrado “sinais marginais” de progresso nos resultados obtidos neste último inquérito.
Aumento de 400% nos ataques antissemitas desde outubro
Quatro em cada cinco (80 por cento) dos inquiridos afirmaram mesmo que o antissemitismo aumentou nos últimos cinco anos e 64 por cento disseram ser vítimas de discriminação e preconceito “o tempo todo”.
Mais de nove em cada dez descreveram o antissemitismo na internet e nas redes sociais como um problema “muito grande”. Como o estudo foi realizado antes de o conflito entre Israel e o Hamas ter começado, a agência recolheu dados de 12 organizações judaicas, que relataram um aumento de 400 por cento nos ataques antissemitas desde outubro de 2023.

Seis em cada dez pessoas disseram estar preocupadas com a segurança das suas famílias e 62 por cento admitiram que o conflito árabe-israelita afetou a sua sensação de segurança.

Para além disso, menos de um em cada cinco (18 por cento) dos inquiridos considera que os Governos estão a responder ao problema de forma eficaz.

“Esta situação limita severamente a capacidade do povo judeu de viver em segurança e com dignidade. Temos de nos basear nas leis e estratégias existentes para proteger as comunidades de todas as formas de ódio e intolerância, tanto online como offline”, apelou Sirpa Rautio.


A agência europeia exorta os Governos a financiarem as necessidades de segurança e proteção das comunidades judaicas, incluindo escolas, sinagogas e centros comunitários.

A agência pede também que se faça uso total da legislação da UE que regula a Internet, o Digital Services Act, para remover conteúdo antissemitas online, bem como intensificar os esforços para processar crimes de ódio antissemitas.
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