Mundo
Alemanha devolve caveiras e recebe apupos
A Faculdade de Medicina de Berlim (Charité) devolveu hoje à Namíbia 20 crânios de pessoas mortas na guerra colonial que a Alemanha conduziu de 1904 a 1908 contra duas tribos daquele país. Os crânios tinham sido levados para Berlim e entregues a projectos de "investigação racial". A ministra alemã Cornelia Pieper, presente à cerimónia, foi vigorosamente apupada e abandonou o local sem ouvir o discurso do ministro namibiano presente.
Tudo tinha começado mal, porque o Governo de Angela Merkel não quis comprometer-se e manteve sempre, desde o início, que os macabros despojos de guerra estavam a ser devolvidos, não pelo Estado alemão, mas pela Charité.
O Auswärtiges Amt (Ministério dos Negócios Estrangeiros) também afirmara na terça feira que o anfitrião da cerimónia não seria ele próprio e sim a instituição universitária.A delegação namibiana não escondeu que se sentia despromovida pela esquiva, algo grosseira, da diplomacia germânica. A deputada namibiana KLatuutire Kaura, membro da delegação, constatou assim que "o Governo alemão ignora-nos inteiramente".
Depois, havia que decidir também quem assinava a acta de entrega dos crânios. E, como não se deu luz verde a nenhum membro do Governo alemão para produzir a sua assinatura, nem à discursante Cornelia Pieper, a delegação namibiana decidiu que também não faria assinar essa acta pelo ministro namibiano vindo à Alemanha para o efeito. Restou fazer assiná-la do lado alemão por um membro da direção da Charité e do lado namibiano por uma representante do Conselho para o Património Nacional.
E chegou-se depois à cerimónia da entrega, sem que se endireitasse aquilo que tinha nascido torto. Com a memória bem presente dos crimes de guerra alemães, cometidos contra as tribos revoltadas dos Herero e dos Nama, a ministra Cornelia Pieper dirigiu-se à delegação namibiana dizendo, segundo citação de Der Spiegel: "Em nome do Governo Federal, peço-vos conciliação".
Para a delegação e para parte do público que com ela simpatizava, conciliação é algo que se procura numa guerra com responsabilidades mais ou menos partilhadas. Mas o Estado alemão, sucessor do Império dos Hohenzollern, deveria pedir desculpas por uma guerra colonial genocida. E isso foi exigido à ministra Pieper.
Bem ciente de que a exigência de um pedido de desculpas tem um sólido fundamento histórico, Pieper procurou satisfazê-la, mas com o subterfúgio de apenas se pronunciar em nome pessoal: "Quero também manifestar-vos a título muito pessoal a minha pena e vergonha". E acrescentou que evocava as pessoas mortas com "grande respeito".
Para uma parte do público, essa era uma manobra indigna de alguém que deveria falar em nome do seu Governo. Daí que Pieper fosse apupada e, agravando mais ainda a gaffe cometida contra a delegação namibiana, abandonasse o local sem ouvir o discurso do ministro namibiano.
O Auswärtiges Amt (Ministério dos Negócios Estrangeiros) também afirmara na terça feira que o anfitrião da cerimónia não seria ele próprio e sim a instituição universitária.A delegação namibiana não escondeu que se sentia despromovida pela esquiva, algo grosseira, da diplomacia germânica. A deputada namibiana KLatuutire Kaura, membro da delegação, constatou assim que "o Governo alemão ignora-nos inteiramente".
Depois, havia que decidir também quem assinava a acta de entrega dos crânios. E, como não se deu luz verde a nenhum membro do Governo alemão para produzir a sua assinatura, nem à discursante Cornelia Pieper, a delegação namibiana decidiu que também não faria assinar essa acta pelo ministro namibiano vindo à Alemanha para o efeito. Restou fazer assiná-la do lado alemão por um membro da direção da Charité e do lado namibiano por uma representante do Conselho para o Património Nacional.
E chegou-se depois à cerimónia da entrega, sem que se endireitasse aquilo que tinha nascido torto. Com a memória bem presente dos crimes de guerra alemães, cometidos contra as tribos revoltadas dos Herero e dos Nama, a ministra Cornelia Pieper dirigiu-se à delegação namibiana dizendo, segundo citação de Der Spiegel: "Em nome do Governo Federal, peço-vos conciliação".
Para a delegação e para parte do público que com ela simpatizava, conciliação é algo que se procura numa guerra com responsabilidades mais ou menos partilhadas. Mas o Estado alemão, sucessor do Império dos Hohenzollern, deveria pedir desculpas por uma guerra colonial genocida. E isso foi exigido à ministra Pieper.
Bem ciente de que a exigência de um pedido de desculpas tem um sólido fundamento histórico, Pieper procurou satisfazê-la, mas com o subterfúgio de apenas se pronunciar em nome pessoal: "Quero também manifestar-vos a título muito pessoal a minha pena e vergonha". E acrescentou que evocava as pessoas mortas com "grande respeito".
Para uma parte do público, essa era uma manobra indigna de alguém que deveria falar em nome do seu Governo. Daí que Pieper fosse apupada e, agravando mais ainda a gaffe cometida contra a delegação namibiana, abandonasse o local sem ouvir o discurso do ministro namibiano.