Alemanha. Martin Schulz abandona presidência do SPD para ser ministro

Alemanha. Martin Schulz abandona presidência do SPD para ser ministro

Martin Schulz anunciou esta quarta-feira que irá deixar a presidência do partido social-democrata alemão, na sequência do acordo firmado com os conservadores liderados por Angela Merkel sobre uma coligação de governo. Schulz quer assumir a diplomacia alemã.

RTP /
Reuters

Schulz, de 62 anos, confirmou que o seu desejo é ocupar a pasta de ministro dos Negócios Estrangeiros no próximo Governo e considera que sendo ministro fica sem condições para assegurar o “processo de renovação” do partido.

Andrea Nahles, de 47 anos e chefe do grupo parlamentar do partido, deverá ser a próxima líder do SPD. A antiga ministra do Trabalho, que não quis participar na nova coligação governamental, poderá ser a primeira mulher a a dirigir o mais antigo partido da Alemanha.

Martin Schulz argumentou que pretende realizar um congresso extraordinário para a eleição de Andrea Nahles, depois da votação de militantes sobre o projeto de coligação entre o SPD e os conservadores. Esta consulta interna vai decorrer a partir de 20 de fevereiro entre os 460 mil militantes sociais-democratas. O resultado será comunicado no dia 4 de março. Sem este aval, o novo governo não poderá ser formado.

Martin Schulz mostrou-se confiante na vitória do “sim” ao acordo anunciado esta quarta-feira com Angela Merkel. Se tiver luz verde do partido, Schulz propõe-se liderar a diplomacia alemã. “Vou lutar pela renovação da União Europeia”, prometeu Schulz.

Questionado sobre as informações de que o autarca de Hamburgo poderá ser o próximo ministro das Finanças, Schulz que todas as decisões sobre cargos específicos serão tomadas depois de se saber se o SPD dá o aval à coligação com Merkel.
"Mudança de rumo" na Europa
Horas antes, ao lado de Angela Merkel, o líder do SPD congratulou-se com o acordo alcançado, preferindo focar-se nas repercussões internacionais do acordo.

“Com este acordo de coligação, a Alemanha vai assumir novamente um papel ativo e de liderança na União Europeia”, sublinhou Schulz. Nas páginas do acordo firmado esta quarta-feira, o capítulo “Um novo impulso para a Europa” ocupa lugar de destaque.

O atual líder do SPD admitiu que as negociações com a CDU foram “as mais difíceis de sempre” e promete “uma mudança de rumo” na política europeia, com o apoio “tático” às linhas defendidas por Emmanuel Macron, no sentido de reformar a Europa e as suas instituições.

“Só com um novo crescimento da Europa se pode garantir a paz, a segurança e a prosperidade da Alemanha no longo prazo”, afirmou.
Merkel: Acordo com SPD permite “governo estável”
A chanceler alemã congratulou-se esta quarta-feira com o acordo para a grande coligação alcançado entre a CDU e os social-democratas. Angela Merkel admitiu no entanto que a distribuição de ministérios entre as forças partidárias não foi tarefa fácil e que nem todos os conservadores “vão ficar contentes” com o destino dado à pasta das Finanças.

Com a passagem da pasta das Finanças para os social-democratas, o Governo liderado por Angela Merkel fez uma das cedências mais inesperadas ao parceiro de coligação e, num volte-face, entregou um dos Ministérios mais importantes do Governo para as mãos do parceiro de coligação.

“Tenho de admitir que a questão da distribuição dos ministérios não foi fácil”, disse a chanceler alemã durante uma conferência de imprensa realizada esta tarde, poucas horas depois do fim das negociações, que ditaram o acordo para a formação de um governo de coligação.

No entanto, apesar das concessões, Merkel mostrou-se convicta que o acordo firmado esta quarta-feira permite a formação de uma boa solução governativa.

“Estou convencida de que este pacto de coligação (…) serve de base ao Governo estável de que o nosso país precisa e que muitos no mundo esperam de nós”, afirmou a chanceler, citada pela agência France-Presse.

Angela Merkel reconhece que as negociações com o SPD, iniciadas em janeiro, foram “difíceis” mas que “valeram a pena”. Admite também que nem todos os apoiantes e militantes da CDU vão ficar “contentes” com a decisão de entregar a pasta das Finanças aos social-democratas.

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